Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Uma Taça em mudança

No próximo domingo vamos ficar a conhecer o "campeão de inverno", epíteto que passará a ser atribuído ao vencedor da Taça da Liga, competição que irá encontrar o seu dono a meio da temporada. Uma solução interessante que se enquadra na estratégia, de Pedro Proença e da Liga de Clubes, de revitalizar a competição e tornar a mesma mais atraente para todos os intervenientes, sejam eles clubes, adeptos e patrocinadores. No entanto, o caminho ainda parece longo.

A criação de uma ‘final four’ a ser disputada em campo neutro, e no mesmo local, é uma medida acertada. Acaba por se tornar um objetivo apetecível para todos os clubes, de modo a alcançarem a presença no estádio em que ocorrerão todas as decisões. É também uma forma de capitalizar o investimento realizado em alguns estádios modernos do Euro’2004 que, por razões várias, têm estado sem a devida utilização. Além disso, este tipo de ‘final four’ pode muito bem servir de tubo de ensaio e inspiração também para a Taça de Portugal, que também teria a ganhar com um formato assim.

Contudo, a Taça da Liga apresenta o mesmo problema de sempre. Nem todos os clubes encaram a prova com a mesma ambição, sendo que esse ‘desinteresse’ acaba por se alastrar aos adeptos. As fracas assistências são um problema, que nem os preços baixos dos bilhetes têm conseguido solucionar. Os 4.127 espetadores da meia-final entre Braga e Setúbal, na quarta-feira passada, assim como uma assistência média inferior a 10 mil pessoas por jogo na totalidade dos jogos são números pouco atraentes.

A proposta, a ser apresentada futuramente por Pedro Proença aos clubes, que prevê a atribuição de um lugar nas competições europeias do ano seguinte ao vencedor da Taça da Liga, pode ajudar a mudar a forma como se olha para a competição. A par desta medida, um bom prémio pecuniário para as quatro equipas que alcançarem a ‘final four’ pode ser o incentivo que falta para que o nível competitivo da prova passe para um patamar superior.

Inicialmente vista como uma prova para rodar os menos utilizados e lançar jovens promessas, a Taça da Liga está em processo de mudança. Se passarem a existir metas competitivas diferentes, o seu interesse será maior. A gestão efetuada pelos treinadores será distinta e a forma como é feito o planeamento da época pelos clubes pode também ser diferente. E em vez de apenas cumprirem calendário, muitos vão passar a lutar também pela vitória.

Nota – O diretor técnico da FIFA, Marco van Basten, avançou na semana passada com algumas ideias para revolucionar o futebol. A mais sonante passaria por abolir o fora-de-jogo. Apesar de compreender o princípio da ideia, que passaria por trazer mais golos e emotividade aos jogos, penso que uma decisão destas acabaria por destruir toda a componente tática que envolve e apaixona a modalidade. Além disso, transformaria o futebol num desporto totalmente diferente ao que estamos habituados. E as principais estrelas, que se destacam pela inteligência e forma com que desmontam as estratégias rivais, passariam a ser figurantes num jogo que passaria a privilegiar os pivôs fixos nas áreas adversárias.

Van Basten deixou, contudo, algumas ideias para refletir. A paragem do relógio nos últimos 10 minutos (para combater o antijogo), substituições sem parar o jogo, a limitação do número de faltas por jogador (excluindo os infratores) e diminuição da carga de jogos por temporada, são bons pontos de partida para melhorar a modalidade.


O craque -- Um novo desafio

É um jogador de características pouco habituais nos avançados portugueses, com boa compleição física e uma inteligência tática acima da média, seja a jogar nas faixas ou no meio. Gonçalo Guedes aproveitou o tempo de jogo oferecido por Rui Vitória e foi um jogador determinante na primeira volta, correspondendo em pleno durante a ausência de alguns companheiros por lesão. A consistência exibicional adquirida mostra que evoluiu para um nível médio-alto aos 20 anos. A saída para o PSG é precoce, mas tem condições de fazer uma notável carreira.

A jogada -- Diferentes estratégias

Como seria de esperar, a maioria dos clubes está a aproveitar o mercado de inverno para fazer ajustes nos seus conjuntos. E com o fecho das inscrições a aproximar-se, essas movimentações prometem intensificar-se ainda mais nos próximos dias. A aquisição de mais-valias com a venda de ativos, a colocação de jogadores menos utilizados, a chegada de um ou outro reforço já adaptado à liga portuguesa e a tentativa de cortar despesas salariais são algumas das estratégias que estão a ser levadas a cabo pelos clubes, pelo que a próxima semana ainda pode trazer novidades.


A dúvida -- Saída sem glória

No início da temporada, a chegada de Lazar Markovic ao Sporting, mesmo em cima do fecho das inscrições, foi surpreendente e ficou a sensação de que seria uma mais-valia importante para a equipa leonina. Afinal de contas, o sérvio tinha feito uma grande época no Benfica e, além disso, essa prestação tinha sido conseguida com Jorge Jesus. Mas não confirmou as expetativas. Titular apenas em 7 partidas, nunca mostrou a qualidade evidenciada na Luz. Pareceu sempre um jogador acomodado e um corpo estranho à própria equipa. A saída sem glória acaba por ser natural. Porque falhou Markovic no leão?





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