António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Uma taluda de 14 milhões

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Na próxima quarta-feira, na Roménia, o Sporting terá o seu primeiro ‘match point’ da temporada. Um jogo decisivo que pode valer um bilhete de entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões e ainda um valioso prémio de 14 milhões de euros. Trata-se de uma partida de enorme importância a nível desportivo e financeiro que pode mesmo influenciar decisões futuras na definição do plantel. Mas este é um obstáculo que os leões têm capacidade de superar.

O Sporting não conseguiu aproveitar o fator casa para ganhar vantagem na eliminatória do playoff da Liga dos Campeões frente ao Steaua Bucareste, mas ficou clara a sensação de que a equipa de Jorge Jesus é superior, tem mais qualidade a nível individual e coletivo e poderá resolver as coisas a seu favor na capital romena. Nesta fase, numa competição exigente como a Champions, sejam nomes com mais ou menos cartel, é certo que os adversários são sempre difíceis.

A equipa leonina controlou a partida com o Steaua em Alvalade, mas não foi assertiva no capítulo da finalização. Esta parece mesmo ser uma questão a resolver nos próximos jogos do Sporting, já que contra o V. Setúbal também se notaram dificuldades em chegar com perigo à baliza adversária. Contra equipas mais fechadas têm faltado ideias para encontrar o caminho do golo. Mas não faltam soluções de ataque no plantel sportinguista, pelo que será uma questão de encontrar a fórmula certa.

Em Bucareste, espera-se que o Steaua se apresente com maior pendor ofensivo, o que pode permitir um jogo diferente dos leões, com mais espaço para poderem aproveitar após a recuperação de bola. Mas há que encontrar o caminho dos golos e, sobretudo, face à presumível ausência de William, ganhar rapidamente novas rotinas no meio-campo, que permitam um jogo mais fluído e objetivo.

Marcando golos na capital romena (que valerão a dobrar) e voltando a mostrar superioridade dentro de campo, dificilmente o Sporting deixará de conseguir atingir uma das grandes metas da temporada. Mas não há que facilitar. O grau de exigência será máximo e o Steaua Bucareste tem jogadores com qualidade acima da média. E uma ‘taluda’ de 14 milhões de euros (valor que até seria superior aos 12 milhões que Benfica e FC Porto já garantiram com a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões) seria um importante balão de oxigénio para encarar a temporada com maior tranquilidade e confiança.

Por seu lado, numa equipa que no ano anterior sofreu 48 golos em 47 partidas disputadas, é notória a preocupação de Jorge Jesus em melhorar o processo defensivo. E em 3 jogos oficiais disputados até ao momento, o Sporting não sofreu qualquer golo, o que pode ser um indicador do trabalho que tem sido preparado neste setor. A entrada de um elemento experiente como o francês Mathieu trouxe um acréscimo de qualidade visível.

A partida de amanhã em Guimarães, de grande dificuldade, pode ser um teste importante para perceber se o leão está preparado para o assalto a Bucareste. E há também a curiosidade em ver como irá o Sporting lidar com a gestão de recursos entre campeonato e jogos europeus, situação que nem sempre correu da melhor forma em épocas passadas.

O Sporting 2017/18 será posto à prova. Será uma semana intensa, na qual se pode definir muito do que será a realidade leonina ao longo da época. Portugal precisa dos seus melhores clubes nas competições europeias e os leões têm um papel a desempenhar.

O craque – Diamante no Minho

Há um talento a despontar em Braga. Depois de ter dado nas vistas no Mundial de sub-20 ao serviço de Portugal, o jovem Bruno Xadas parece ter agarrado a titularidade na equipa minhota. Esquerdino de grande habilidade e com remate forte de meia distância, é um criativo capaz de desequilibrar nas faixas e mesmo em zonas interiores, assumindo a responsabilidade de partir para cima do adversário. Os 11 golos que apontou no ano passado ao serviço do Braga B servem de cartão-de-visita para um diamante em processo de lapidação que começa a despertar a cobiça de emblemas maiores.

A jogada – Margem mínima

Os três grandes venceram os desafios da última jornada pela margem mínima. Partidas difíceis, perante adversários organizados, que serviram para mostrar que ainda há coisas para melhorar no futuro. No entanto, souberam lidar com este tipo de jogos de outra forma, não perdendo o controlo mental e mantendo sempre a segurança defensiva. E todos passaram esse teste. É assim que se fazem os campeões, na capacidade de desbloquear o que parece difícil. Para isso será sempre necessário espírito de sacrifício e solidariedade coletiva. Quem tiver mais esta valência, estará perto do sucesso.

A dúvida – Mão pesada

Por força de uma grande rivalidade histórica, um jogo entre Real Madrid e Barcelona mexe com qualquer jogador. Com o mundo inteiro de olhos postos na partida, a vontade de vencer torna-se ainda maior. É um jogo de tensões em que, um mínimo deslize, pode tirar os atletas do seu foco principal. Cristiano Ronaldo cometeu um erro ao dar um ligeiro empurrão no árbitro. O próprio saberá disso, porque se tratou de um ato que não é habitual no jogador. Porém, face a outros casos que já vimos em relvados de futebol no passado será que se justifica um castigo tão pesado?

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