Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Vídeo-árbitro é bom sinal

Era expectável que, à medida que se fosse aproximando o último terço do campeonato, aumentasse o tom de contestação em relação às arbitragens. Uma situação que, infelizmente, tem sido habitual no futebol português, e que ganha maior ruído este ano, por termos 3 candidatos ainda com possibilidades de conquistar o título. A provável chegada do vídeo-árbitro às nossas competições talvez possa trazer alguma tranquilidade ao sector da arbitragem. Mas será isso suficiente?

Em primeiro lugar, no que respeita às críticas aos árbitros, é importante constatar ‘o óbvio’. Quem mais chora, ou seja, os três grandes, são por norma os clubes mais beneficiados pelas arbitragens. Estão envolvidos nos jogos de maior mediatismo, onde se concentram as atenções de todos os adeptos, e acaba-se por omitir que os clubes mais pequenos são, na maioria das vezes, aqueles que têm maior razão de queixa.

Por outro lado, há a questão do erro humano. E isso vai sempre acontecer, fazendo parte da essência do jogo. Ainda esta semana, no jogo entre Chelsea e Valencia para a UEFA Youth League, que foi decidido por grandes penalidades, vimos um golo dos espanhóis a ser invalidado, porque nenhum dos juízes (nem mesmo o de baliza) se apercebeu que a bola, depois de passar a linha de golo, embateu num ferro e voltou para trás.

O exemplo acima é precisamente um tipo de situação que poderá ser resolvido com o recurso ao vídeo-árbitro, cenário que parece estar em vias de ser testado em breve nas competições de nove federações internacionais, Portugal incluído. Cabe agora ao International Board decidir na próxima semana quando é que os testes poderão arrancar.

Aproveitar as novas tecnologias para auxiliar o difícil trabalho dos árbitros parece uma ideia muito positiva e vai ajudar a diminuir o número de decisões incorretas, contribuindo para a verdade desportiva. E se esta situação for uma realidade ainda durante a presente época, bem que ajudaria a diminuir os níveis de contestação existentes. Em boa hora, a FPF assumiu este desígnio de ser uma das federações pioneiras.

É importante também perceber que o vídeo-árbitro não vem eliminar os erros todos de arbitragem e erradicar todos os males, mas é um passo em frente, essencial para o futuro da modalidade e de uma indústria que movimenta imensos milhões. Certamente existirão lances de fora de jogo ou de grande penalidade, que nem com recurso a imagens, permitirão decisões consensuais pela sua complexidade. Basta ver o tão falado penálti cometido sobre Jonas no Paços de Ferreira – Benfica, que levantou opiniões diferentes entre especialistas com a maioria a dizer que foi mal assinalado, mas com o observador do jogo a dar o lance como bem decidido.

É também por aqui que há por fazer algo pela arbitragem nacional. Tornar mais explícitas as avaliações que são feitas pelos observadores ao desempenho dos árbitros, para que não voltem a acontecer casos como os de Marco Ferreira, despromovido num ano em que foi nomeado para a final da Taça de Portugal. Além disso, um sistema de nomeações mais coerente parece ser necessário.

PS: Vítor Pereira vai deixar o Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) no final do mandato. Face ao rol de críticas que se vem acentuando, onde para além dos clubes, segundo notícias recentes parece haver também uma contestação interna no CA, a decisão não surpreende. O desgaste da liderança de Vítor Pereira era evidente.


O craque – Um maestro no Berço
É um dos jogadores mais talentosos que alinha nos relvados portugueses e começa a mostrar o seu potencial. Desde que agarrou a titularidade na equipa do V. Guimarães, em dezembro, Otávio já apontou 6 golos e 6 assistências. O médio brasileiro tem sido aposta de Sérgio Conceição e está a corresponder com consistência, fazendo uso da grande técnica e habilidade para criar desequilíbrios e jogadas decisivas. Um pequeno génio, que pertence aos quadros do FC Porto, está a evoluir na cidade Berço e parece ter garantido um lugar no plantel da próxima época dos dragões.

A jogada – Rodar com qualidade
O Braga consegue chegar a esta fase da época ainda a competir em quatro frentes, um feito que merece o devido registo. Mais do que isso, o treinador Paulo Fonseca tem conseguido mostrar que o uso da rotatividade não é assim tão prejudicial como alguns fizeram fazer crer em tempos recentes. Um plantel com soluções de qualidade para todas as posições só tem a ganhar em ter 18 ou 20 titulares, onde todos se sentem motivados para ajudar a equipa. A equipa não tem oscilado e os bons resultados estão à vista.

A dúvida – Ambição e pragmatismo
É certo que o principal objetivo da época para qualquer um dos 3 grandes tem de ser a conquista do campeonato. É essa esperança que alimentam os seus sócios e é o prémio principal que se espera ganhar ao fim de uma temporada difícil. Isso não quer dizer que a participação nas competições europeias, na Liga dos Campeões ou na Liga Europa, não seja uma meta importante, pela projeção internacional que proporciona e pelo prestígio dos próprios clubes. Estranhamente nem sempre o discurso tem sido condizente com esta ideia. Não deveriam os clubes estar preparados para alinhar em todas as frentes?





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