Ao meu ídolo
A onda iconoclasta em torno de George Floyd com as consequentes manifestações públicas de ataques a estátuas tidas por nós como quase todas elas de enorme veneração, idolatria ou apenas honra ou respeito, como o caso da do Padre António Vieira, Colombo ou Arthur Ache poderia eventualmente fazer-nos repensar sobre a forma de ilustrar os Descobrimentos, a História e os nossos heróis aos jovens contemporâneos. A estatuária deveria refletir um homem histórico, com uma visão histórica sobre a realidade. Agora há que acrescentar ser ético, leal e cumpridor da lei, nesse período da história à imagem da atualidade. E esse exercício não é para todos, muito menos para aqueles que por radicalização atentam contra estátuas, enquanto assaltam supermercados. Mas este exercício é dos cientistas históricos, para que não se elevem ou deixem à vista figuras da história que, ainda que em algum momento tenham tido uma visão, foram durante toda a vida ou parte dela uns velhacos, desonestos, xenófobos ou pervertidos.