Artur Fernandes

Artur Fernandes Presidente da Associação Nacional de Agentes de Futebol

E o Rei vai... com a Taça

Depois de tudo que se viu, a desilusão deste Europeu, para nós portugueses, chama-se Portugal. Poderíamos bem ter sido nós os campeões. Entrámos e saímos sem que ninguém nos visse. E se alguém viu, fez de conta, tal como os nossos erros, que dariam pano para mangas. A vitória dos nuestros hermanos neste Euro, recuperou a ideia de que o futebol ainda pertence a quem o quer jogar bem. A seleção espanhola apresentou uma proposta tão atrevida quanto atrativa, desde o primeiro jogo. Sempre ofensivos, eles jogaram de forma alegre, jovial e com uma coesão contagiante. Esta equipa conseguiu-nos transmitir a ilusão de que o futebol regressou às suas origens, do futebol bonito, de um jogo emaranhado num caos organizado, onde a espaços nos recordava melancolicamente, o jogar à bola na rua. Espanha fez jus à premissa de que, quem joga bem pode ganhar mais vezes. De La Fuente  mudou completamente o cenário da seleção, com o objectivo de humanizar futebolistas e aproxima-los do mundo real. Vislumbrou neste contexto, o local perfeito para reproduzir o habitat das seleções inferiores, onde foi campeão por diversos anos seguidos. Abriu o balneário à imprensa, e assim iniciou a sua revolução discreta, com jogadores ‘desconhecidos’, promovendo-os em entrevistas personalizadas e conseguindo normalizar os contratempos oriundos principalmente do lobby dos promotores dos jogadores preteridos. E sem receios, foi apagando alguns incêndios pontuais, pois apanhou uma equipa arrasada, com as brasas ainda fumegantes, transformando-a  num ambiente respirável ,onde tudo aconteceu naturalmente.

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