Mercado descafeinado
"Aquele que deseja continuamente ‘elevar-se’ deve esperar um dia pela vertigem. O que é a vertigem? O medo de cair? Mas porque sentimos vertigem num mirante cercado por uma balaustrada? A vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio por baixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados." Eis uma parte ínfima da enormidade do espólio e do legado de Milan Kundera, o génio que ‘viajou' esta semana. Naquela insustentável leveza de ser simples e genial residiam as bases de um património intelectual único. Para ele as perguntas para as quais não existissem respostas marcavam os limites das possibilidades humanas e delimitavam as fronteiras da existência.