Artur Fernandes

Artur Fernandes Presidente da Associação Nacional de Agentes de Futebol

Os talibãs não gostam de futebol

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Era uma vez uma arte chamada futebol. 11 contra 11, controlando uma bola, manejando-a  com habilidade, para levá-la até ao fundo das redes adversárias, objetivo para a conquista total. E, nas bancadas, os adeptos gritando e saltando, animados pela paixão clubística. É um desporto transversal, a jovens e menos jovens, a ricos e pobres. Mas o desporto é destinado a homens e mulheres. Só assim ele pode ser uma arte total, só assim chegará a ser grande, só assim conseguirá ser pleno. O belo no futebol é que todos sejam seres humanos tão apaixonados quanto falíveis, fazendo com que o óbvio não o pareça, e tornando-o bonito pela constante sensação da subjetividade e referência da relatividade. Todo o espetáculo resulta da combinação de todos estes itens, e, por isso, é o assunto favorito de todos os dias em cafés, bares, encontro de famílias e amigos. Mas existem 2 atores obrigatórios: por um lado os homens, tão excitados quanto nervosos, tão obstinados quanto competitivos, por outro lado as mulheres, tão vencedoras quanto apaixonadas, tão vibrantes quanto dedicadas, e assim se conclui uma conjugação festiva de uma beleza rara, nas bancadas, no campo e na rua. Porém, há um país em que esta magia não vai poder continuar a existir: o Afeganistão. Onde o jovem desportista Zaki tentou fugir agarrado a uma roda de avião e caiu a 200 metros de altura. É que agora, os únicos jogos possíveis entre homens e mulheres, nesse País, vão ser apedrejamento "à boneca", rolamento de cabeças e jogar às escondidas, com burka, mas dentro de casa. Desumano. Mas parece que nem todos aprenderam, ou não quiseram. Os talibãs estão com 21 séculos de atraso e, se nada for feito, vão continuar. Definitivamente não gostam da vida, do desporto, do futebol, e das mulheres. O jogo que se deveria impor seria as mulheres afegãs contra os talibãs, em campo aberto, sem roupas nem armas, de um lado e outro, e era vê-los a fugir com as suas vergonhas.

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