Artur Fernandes

Artur Fernandes Presidente da Associação Nacional de Agentes de Futebol

Pichardo português e público

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Pôr em causa a nacionalidade de Pichardo é pôr em causa D. Afonso Henriques (consta-se que era filho de uma galega e um francês). E também Deco ou Pepe (filhos do Brasil). Ou então é pôr em causa todos aqueles portugueses que compõem o staff de Pichardo, ou Mamona ou Fonseca (filhos de África). É criticar o COP, que tem feito um excelente trabalho. E ainda pôr  Eusébio, ou então Éder, em causa também. O alegado "incêndio" das redes sociais, com a xenófoba expressão "100% português", realça que o "ser português" tem na nossa história, exatamente o contrário. A aventura, a coragem, a simpatia, a hospitalidade, a agregação, a tolerância. Somos um povo que sempre pugnou por uma sociedade inclusiva, e que sempre se incluiu noutras sociedades, de outros países, os ditos, imigrantes, muitos deles com duplo passaporte ou residência. E assim fomos fazendo a História de Portugal, desde o século XV, principalmente.  Além do mais, quando encontramos alguém vestindo a camisola de Portugal pelas ruas de um qualquer país, imediatamente sentimos que é um dos nossos.  A isso chama-se educação e ética, e orgulho nacional. Em pleno século XXI, aquilo que nos diferencia é que somos muito melhores que isto e, ao longo da História, demos provas de pluralidade e globalização, até porque é impossível quantificar a nacionalidade. Mais uma vez, não ao extremismo, não ao racismo, e cautela com as redes sociais, que dão voz a muitos imbecis, e, ainda que algumas loucuras se curem, a imbecilidade é coerente e eterna, assenta no preconceito, e não tem cura. É prima da estupidez.

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