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Bernardo Ribeiro
Bernardo Ribeiro Diretor de Record

Águia aposta na formação sem poupar

Quando começou a ganhar forma a ideia da aposta do Benfica na formação, lendo-se as entrevistas de Luís Filipe Vieira ficava a ideia de que o clube ia entrar em contenção financeira. O mundo mudara e no fundo adivinhava-se o intuito de fazer face à grave crise internacional, que afetou as relações coma banca, mas também a redução do preocupante passivo do clube.

A aposta na formação foi real e viram-se na equipa de Rui Vitória miúdos como Nélson Semedo, Renato Sanches ou Lindelöf. Só a parte do desinvestimento não foi cumprida. A época passada o clube da Luz gastou valores muito semelhantes aos anteriores. Isto se não colocarmos em cima da mesa jogadores como Jiménez ou Jovic. É que hoje sabemos que o primeiro custou mais de 20 (!) milhões e o segundo pouco mais de sete. Só estes dois e o flop Taarabt mostram como há dinheiro na Luz para investir. Será, por isso, preciso esperar até ao fecho da janela de mercado para perceber qual o novo paradigma no Benfica. A formação parece ter vindo para ficar. Já a contenção foi abandonada ou adiada, no fundo, devido aos compromissos competitivos. No início da época passada parecia difícil o equilíbrio entre poupança e competitividade.

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O plantel de Rui Vitória é ainda muito longo e o técnico terá de começar brevemente a depuração. Uma será feita por ele, nas escolhas que mais lhe agradam em termos desportivos, a outra por Vieira. O presidente do Benfica sabe que é necessário fazer mais encaixes financeiros importantes, à imagem de Renato e Gaitán. As contas esboçadas por Domingos Soares de Oliveira permitem investimento, sim, mas alicerçado em vendas que paguem não só as compras como a gestão do campeão. O sucesso desportivo na Luz é hoje uma aposta mais do que ganha. O sucesso financeiro é o próximo desafio.

Por Bernardo Ribeiro
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