_
O mercado português é muito pequeno e estamos habituados há muito a que os clubes nacionais não tenham capacidade de competir com os poderosos. O feito protagonizado por Mourinho, que venceu duas taças europeias consecutivas com o FC Porto, parece impossível não só por não haver treinador igual, mas também porque o negócio mudou e bater os melhores é quase um sonho.
Mas se o Ajax serve de inspiração, mesmo que nada prove, pois os holandeses criam uma equipa para logo vê-la destruída pela força do dinheiro – correm esse risco já na próxima época –, o Benfica acredita agora que a aposta no Seixal e a hegemonia no futebol nacional lhe podem trazer o poder financeiro para rivalizar com os melhores. O projeto é bom e faz todo o sentido. Até porque a desorientação dos rivais, ambos com problemas internos graves, ajuda a que remem todos para o mesmo lado.
Em termos de estrutura, o Benfica segue na frente. Mesmo com a baixa de Paulo Gonçalves, acusado de corrupção ativa no caso e-toupeira, os encarnados têm a academia e formação mais organizada, excelentes relações com o empresário que conta e uma gestão e marketing que nada tem a ver com os rivais. Ganhar o lugar na Superliga ou na Champions que aí vem e cavar um fosso inultrapassável para FC Porto e Sporting é o desejo. Legítimo, diga-se.
Por Bernardo Ribeiro