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A noite de domingo e a mágica segunda-feira que se seguiu foram diferentes. Não é todos os dias que se ganha um Europeu. Por estas paragens nunca tinha acontecido. Mas depois de muitas festas, tantas lágrimas, rasgados sorrisos e celebrações várias, uma das coisas mais bonitas que fica é a sensação de ver Portugal unido. A festa espalhou-se por todos os continentes, pois não há nenhum que não tenha um português a cantar o hino, mas o que se viu em Lisboa e se presenciou pelo País não vi muitas vezes em 44 anos de vida.
Haverá quem diga que é triste que seja só o futebol a conseguir isto. Mas este é um dos poucos sectores em que Portugal se bate e vence os melhores. E tem até um engenheiro que não poderia ser político pois promete o que cumpre.
Após a final de Paris, nas festas, bebedeiras e loucura coletiva que se seguiu não houve Benfica, Sporting ou FC Porto. As redes sociais que passaram o Europeu a destilar ódio, fosse por Renato Sanches, fosse pelo meio-campo do Sporting, esqueceram todas as guerras. Foi bom sentir Portugal a uma só voz. Nas ruas da capital a correr atrás do autocarro de Portugal. Nas praças de cada cidade, vila ou aldeia. Nos Facebooks e Twitter. De Rui Patrício a Éder, todos mereceram um elogio. Confesso, soube mesmo bem. Ver tantos portugueses felizes não acontece todos os dias. Novos, velhos, homens e mulheres. Ontem foi um grande dia. Que o futebol sirva de inspiração.
Agora vai voltar a bola interna e rapidamente se esquecerá o clima idílico dos últimos dias. Ainda assim pode ser que esta conquista traga, pelo menos, mais respeito pelos jogadores adversários. Pelos homens que conquistaram um título tão desejado, esquecendo a competição caseira que viveram tantos fins de semana. Não acredito muito, mas enquanto há vida...
Por Bernardo Ribeiro