_
A expectativa sobre o clássico era grande, depois de o FC Porto ter sido superior no primeiro ‘round’ entre leões e dragões, apesar de jogado em Alvalade. Ontem o Sporting entrou melhor, foi superior durante os primeiros 20 minutos e parece até ter surpreendido a equipa de Sérgio Conceição, mais habituada a impor as suas leis desde o início de época.
Jesus manteve a mesma equipa de Setúbal mas com algumas dinâmicas individuais distintas, nomeadamente a atenção a Brahimi no FC Porto, sempre muito policiado pelos elementos leoninos ali perto. O dragão pareceu manietado, perdeu Danilo e lançou Óliver, colocando Herrera nas funções do lesionado internacional português. A equipa demorou a encontrar-se e Bruno Fernandes perdeu uma boa oportunidade para colocar os leões na frente do marcador.
Pouco depois começou a tornar-se evidente que Gelson ia ter de sair. O Sporting perdia também um elemento vital, no caso ofensivamente, um dos poucos leões capazes de dinamitar o jogo pela velocidade e no 1x1. Sem opções semelhantes no banco, até porque Podence está lesionado, JJ lançou a mão a Battaglia, reorganizando o miolo e dando ainda mais atenção a Brahimi.
Quando Gelson saía já o FC Porto tinha equilibrado o jogo e os dragões pareciam mais soltos, dinâmicos, começando a ter mais bola. A partir daqui alastrava a mesma impressão do primeiro clássico. Um FC Porto mais ativo, com mais vontade de atacar o adversário, de ganhar a partida; um leão mais reativo, mais expectante, quem sabe pragmático. E essa é uma dúvida que me assalta em relação ao Sporting 2017/18. Se esta forma de jogar é uma nova aproximação ao jogo de JJ ou se os leões estão com pouco gás, sem velocidade e intensidade para se baterem de forma a vergarem os rivais em Portugal.
Tem razão Jesus quando diz que o Sporting tem a melhor oportunidade na 2.ª parte, mas não pode esquecer-se da fantástica defesa de Rui Patrício a remate de Aboubakar, num lance em que Battaglia e Mathieu comprometeram ambos e de forma perigosa.
Interessante o facto de tanto Sérgio como Jesus terem lançado homens que chegaram há muito pouco tempo: Waris e Montero. Sinal de que acreditam no seu trabalho e que são capazes de integrar reforços em pouco tempo ou alguma fezada pelo meio na tentativa de surpreender o adversário com um homem menos visto?
Vital para o Sporting esquecer rapidamente o que pareceu um certo excesso de festejos em Braga. Os leões não ganharam nada. Apenas o acesso a uma final. Entendo a sede de títulos existente em Alvalade e a Taça da Liga é uma espinha atravessada na garganta – final curiosamente perdida com o V. Setúbal –, mas os sadinos têm um dia a mais para descansar e ainda no passado fim de semana mostraram como são capazes de criar engulhos sem solução. E José Couceiro não enjeitará um título.
Perder Gelson seria dramático
A lesão de Gelson Martins e o evidente excesso de utilização do extremo podem sair caro ao Sporting. O velocista leonino é o único homem que tem sido capaz de fazer a diferença nas alas desde o ‘desaparecimento em combate’ de Acuña. A melhor notícia que Jorge Jesus poderia receber nos próximos dias seria a recuperação de Gelson. Mas não será fácil...
Aliança cada vez mais tremida
Sporting e FC Porto têm tido desde o início da época uma estratégia de entendimento evidente em relação ao Benfica e o que tem sido a guerra dos emails. Mas estes confrontos entre leões e dragões têm feito estalar o verniz entre os dois emblemas e não será fácil manter tão pouco natural amizade quando há tanto para se jogar entre os dois clubes. Uma novela a seguir nos próximos capítulos. Agitados, arrisco.
Sérgio Conceição e... Sérgio Oliveira
Interessante a utilização que Sérgio Conceição faz de Sérgio Oliveira. Um jogador que parece reservado para os grandes jogos e que o técnico lança quando precisa de maior equilíbrio no meio-campo, de quem lhe defina os ritmos de forma menos explosiva do que Brahimi e mais musculada do que Óliver. Um jogador de plantel é isto. Dos que fazem falta.
NOTAS DE RODAPÉ:
5. Jesus disse nas entrevistas rápidas que Rui Patrício é um dos melhores guarda-redes do Mundo. A opinião é abalizada e do homem que com ele trabalha todos os dias. E é óbvio que a passagem à final teve muito a ver com o número 1 leonino.
4. Comportamento de claques e público em geral de enaltecer na Pedreira. Nos dias de hoje, em que o ódio comanda os bastidores do futebol português, é sempre bom quando os adeptos se portam melhor até que os dirigentes.
3. Bryan Ruiz acabou por ser o herói inesperado do clube de Alvalade ao apontar sem mácula o penálti decisivo. A vida tem destas coisas e a ‘ressurreição’ do costa-riquenho é uma das histórias bonitas que às vezes o futebol nos proporciona.
2. O relvado de Braga não estava grande coisa e não se podem imputar grandes culpas ao clube da casa. É difícil ficar nas melhores condições quando se jogam dois encontros seguidos na Pedreira. Que melhore para a final é o desejo.
1. Soares foi lançado ao jogo por Conceição e lutou que nem um dragão. Pena não ter acatado de outra forma a substituição decidida pelo treinador portista. Borrou a pintura com a forma e as palavras. Péssima decisão que pode ter custos.
Por Bernardo Ribeiro