Bernardo Ribeiro
Bernardo Ribeiro Diretor de Record

Morrer com o próprio veneno

Portugal perdeu e já faz as malas para deixar a Rússia. Uma derrota amarga e difícil de engolir porque sofrida num jogo em que não fomos inferiores ao adversário, como aconteceu, por exemplo, frente à Espanha ou a Marrocos. Ontem, a Seleção Nacional provou um pouco do veneno que costuma aplicar aos rivais mais fortes. Defrontou um Uruguai pragmático, com capacidade de sofrimento, boa organização defensiva em bloco baixo e processos simples para chegar à baliza, algo que nos faltou este Mundial quando jogámos mal.

Terá Fernando Santos pensado no melhor plano de jogo para o Uruguai? O resultado diz que não, mas será injusto crucificar o treinador, tendo em vista apenas a derrota. De início a coisa parece não ter corrido muito bem. Uma equipa nervosa, com muitas perdas de bola a meio-campo, sem capacidade para ter profundidade no ataque e com falsa largura nas alas. O golo, primeiro, de Cavani, foi apenas o corolário de uma série de lances em que Portugal foi pouco decidido, pouco agressivo e sem capacidade para reagir rapidamente à adversidade.

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Cristiano não conseguiu fazer a diferença como fez a dupla Cavani-Suárez. É injusto carregar em cima de CR7, mas dele e de Messi espera-se sempre mais qualquer coisa. Os dois geniais que têm dominado o futebol mundial acabaram eliminados no mesmo dia. Sinal de que o planeta começa a ter mais príncipes a quererem tirar o lugar aos reis. E se Neymar tem aquele poder de finta à Messi, Mbappé tem o poder físico à CR7. É bom gostar de futebol.

QUESTÕES LATERAIS

Queixas a mais em banco nervoso

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Portugal escusava de ter feito a triste figura de pedir penáltis por dá cá aquela palha e um comportamento de equipa pequena nos últimos minutos da partida. Não se pode criticar, e bem, o Irão de Carlos Queiroz e depois ter os mesmos tiques, ainda que em dose menor. Um treinador tão nervoso e um staff à beira de um ataque de nervos não transportam nada de bom para dentro do relvado. Já basta a cabeça a ferver de quem está lá dentro.

O erro grave que Pepe não merecia

Pepe foi ao longo da prova o pilar da Seleção Nacional e ontem o homem que fez o golo do empate. Fica, contudo, ligado à derrota pela má abordagem ao lance que acaba por dar o segundo golo de Cavani. Não é o único culpado, mas aquele corte deficiente fica na retina. Era na defesa, provavelmente, o homem que menos merecia tal imagem. Fez um belo Mundial, mesmo com aquele erro.

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Cavani e Suárez, dupla fantástica!

O Uruguai não praticou um futebol vistoso, não dominou, não rematou muito, mas ganhou. E o triunfo não caiu do céu. A equipa foi compacta, soube sofrer, respeitou um plano de jogo, mas mais importante, teve Cavani e Suárez. Uma dupla brutal. Meia equipa.

Por Bernardo Ribeiro
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