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Portugal foi superior, muito, à Áustria. Fez 23 remates contra 4, mas apenas 6 enquadrados. Teve 13 passes para ocasião contra 2, mas não marcou. Apontou 10 cantos contra... zero. Mas zero foram também os benefícios daí retirados. Teve 59% de posse de bola, mas do domínio não chegaram os três pontos. Tudo isto para dizer que Portugal é e foi melhor do que o adversário. Mas que ser melhor não chega. É preciso demonstrá-lo. Com golos. E já agora, com uma ideia clara de que futebol defendemos.
Sabemos que Portugal chegou aqui a praticar um futebol pragmático, assente num 4x4x2 que entregava a Ronaldo a triste missão de resolver as coisas sozinho na frente e a uma defesa competente e um contra-ataque sempre atento. Mas a verdade é que olhamos para a Espanha e vemos que ‘nuestros hermanos’ continuam iguais a si próprios. Assim como a Itália, a Alemanha ou a França. O que fez Portugal ao primeiro desaire? Mudou. Não apenas de jogadores, com a entrada de William e Quaresma, mas também de sistema. É aqui que reside a estranheza. A Seleção Nacional jogou de início num 4x3x3 onde estiveram, pela primeira vez, Ronaldo, Nani e Quaresma. Não o fez nos jogos de apuramento. Não o tentou nos encontros de preparação. Foi a aposta após um empate inesperado frente à Islândia.
Acredito que Portugal vai passar à próxima fase. No grupo em que está inserido é quase impossível que não o faça. Mas já não percebo no que acredita Fernando Santos. Mais, não devo ser só eu. Os jogadores também. E se é verdade que ao falhar o penálti CR7 comprometeu, no banco, Santos foi um desastre. Só pode melhorar. Acho.
Questões laterais
Portugal precisa de outro CR7
Pode arrasar-se Ronaldo por ter falhado o penálti. Pode até imputar-se ao nosso maior craque todos os males da equipa. O problema está longe de ficar resolvido assim. Mas a verdade é que Portugal, também pelas insuficiências que manifesta, precisa do melhor CR7. Resta saber se a forma de jogar de Portugal potencia o que de mais forte ele tem. Problema...
Temos a melhor equipa do grupo
Seja qual for o resultado de Portugal no jogo frente à Hungria, há algo que é claro. Portugal tem a melhor equipa do grupo. Foi superior à Islândia, voltou a sê-lo frente à Áustria e quero acreditar que vai confirmá-lo contra a Hungria. No entanto, termos os melhores jogadores, mais talento, mais capacidade ofensiva, como se viu, não chega. Seria um enorme falhanço não passar um grupo onde deveríamos estar a passear a nossa classe.
Notas de rodapé
5. Raphaël Guerreiro. Jogo a jogo mostra aos portugueses o porquê de ter assinado pelo Borussia Dortmund por 10 milhões de euros. Lutador, agressivo, intenso, é capaz de fazer o flanco em ataque rápido e de combinações constantes. Muito forte.
4. William. Aposta ganha por Fernando Santos. Esteve muitos furos acima de Danilo frente à Islândia, na 1.ª parte foi provavelmente o melhor jogador português, mais lesto a soltar e a arriscar no passe longo. Exibição francamente positiva.
3. João Moutinho. Arrasado nas redes sociais e por quem deseja a entrada de Renato Sanches, o médio do Monaco subiu alguns furos em relação ao jogo anterior. Continua a não ser o dínamo de que precisamos e conhecemos, mas não foi por ali.
2. Fernando Santos. O treinador é sempre o rosto da equipa, para o bem e para o mal. E ninguém pode estar satisfeito com os dois empates até ao momento, nem o técnico-engenheiro. Fica a ideia de que está sem uma ideia de jogo concreta.
1. Finalização. É preocupante o índice de eficácia da equipa portuguesa. Tanto com a Islândia como frente à Áustria as oportunidades criadas justificavam outro resultado. Marcar no futebol é decisivo. Mais do que jogar bem ou mal. Resolver, rápido.