No futebol português, como em muitos outros sectores da sociedade neste cantinho à beira-mar plantado, o que interessa é ganhar. Como é algo a que os portugueses, neste caso adeptos, não interessa muito. Aprendemos isso, aliás, no tempo do 'Apito dourado'. A hipocrosia e o olhar para o lado são coisas muito nossas.
Interessante ontem o discurso de Vieira em Alcácer do Sal a propósito do momento vivido pelo Benfica. O penta é um desígnio que une a nação encarnada. E bem. Acredito até que foi positivo para Rui Vitória e plantel. Para a solidificação de um grupo que fez uma primeira parte da época desastrosa mas soube recompor-se e usar os muitos casos judiciais em que o clube está envolvido para uma espécie de rebelião contra o que chegava de fora. Nenhum jogador ou treinador quer ver colocado em causa aquilo que acredita ter ganho em campo.
Vitória, Jonas, Luisão e todos os outros não merecem ver o suor, esforço e capacidade diminuída por acusados e arguidos. Emails e toupeiras. Jogos investigados e operações Lex. Não é obra deles. Mas é a eles que os adeptos, verdadeiros e sem agenda, seguem. No Benfica, Sporting ou FC Porto. Não é a presidentes cuja vida e interesses se misturam tantas vezes com os emblemas. Entendo e celebro a alegria do benfiquista anónimo. Percebo menos as figuras públicas, caladas que nem ratos.
Por Bernardo Ribeiro