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Sempre gostámos de nos dar a conhecer como país de brandos costumes. Onde era fácil gostar de viver, tanto é o sol e a compreensão, às vezes até divina, com quase tudo o que nos acontece. Fomos nós, portugueses, que fizemos a revolução com cravos em vez de balas, dando um exemplo ao Mundo de que é possível mudar para melhor sem excessos que se traduzam em mortes.
Nos últimos dias o futebol português tem dado muitos e vários exemplos de que as coisas estão longe de correr bem em relação aos tais brandos costumes, que pensávamos positivos. Ser brando em relação à onda de violência que alastra pela sociedade portuguesa não só é mau como perigoso. São árbitros agredidos, confrontos entre claques e até adeptos anónimos que viajam de Viseu até Lisboa para ver o seu Benfica que acabam atacados por jagunços mascarados na estação de serviço no Pombal. Talvez por contágio vimos ainda um polícia a bater num homem já deitado no chão mas ainda brindado com socos e pontapés já abananado. Difícil de acreditar.
Desta vez o Estado não podia cruzar os braços. Felizmente. Porque algumas agressões foram em frente a toda a gente. E é demais. Afinal, Liga e FPF têm andado a ver como param as modas. E agora já não têm mão nisto. Há quem pense que pode partir narizes a juízes em campo. Atirar bolas de golfe impunemente porque em claques ilegais e assim pagar apenas multas. Ou atacar adeptos na autoestrada que nada têm a ver com claques e que tudo o que desejam é poder circular livremente dentro do seu país, para assistir a um espetáculo que devia ser de famílias, mas começa a ser demasiado mal frequentado.
O Sporting acusou o Benfica de ser ‘queixinhas’. Hoje faz o mesmo. Com razão ou não, os clubes usam todos expedientes muito semelhantes.
Por Bernardo Ribeiro