Campeões do Mundo
Tem sido um ano particularmente saboroso para o desporto nacional. Desta vez os heróis são do hóquei em patins, com Portugal a sagrar-se campeão mundial numa modalidade que diz tanto ao país. A vitória em Barcelona frente à Argentina foi para homens de barba rija. E isto depois de termos batido a Espanha, que jogava em casa. Ninguém pode tirar mérito a este saboroso título. Parabéns à Seleção Nacional.
Às vezes pergunto-me como pode um país onde parece que tudo está mal ganhar tanto. Porque temos dirigentes de excelência? Não. Mas mora aqui um povo bravo e lutador. Com um talento imenso como provam as vitórias que vão do futebol à canoagem. Mesmo com um desporto escolar a anos-luz do que seria exigível num país europeu, com políticas muito aquém do que seria desejável, a verdade é que hoje há muito mais acesso ao desporto do que existia no período pós-1974.
O atraso desesperante em que Portugal viveu mergulhado durante décadas foi sendo esbatido com a ajuda da Europa. E mesmo se muito dos nossos fundos comunitários foram parar aos bolsos de uma elite que sabe fazer desaparecer milhões como ninguém, alguns sobraram para o desenvolvimento. Os centros de alto rendimento espalhados pelo país fora ajudaram muito à melhoria, descentralização e democratização do desporto. O trabalho compensa.
