Análise

Bernardo Ribeiro
Bernardo Ribeiro Diretor de Record

É aceitar que vamos jogar sempre assim

Desde a geração de ouro que os portugueses estão habituados a um futebol ambicioso. Os Magriços foram pioneiros, sim. E em 84 quase chegávamos lá, mas no futebolzinho de contra-ataque que nos caracterizava. Com os homens que colocaram Portugal definitivamente no mapa do futebol mundial jogávamos quase sempre para ganhar.

Talvez por isso tenhamos dificuldades em engolir esta Seleção. Três empates na fase de apuramento e ontem uma vitória a provar que a sorte faz parte do jogo. Não porque Portugal tenha consentido muitas oportunidades ou sido subjugado pela Croácia. Mas porque a Seleção nunca jogou para ganhar. A ideia é defender.

Os portugueses hoje sabem como se devem sentir os italianos após muitas vitórias. E esse é definitivamente o plano de Fernando Santos, que tem em Portugal um projeto futebolístico semelhante ao que defendia na Grécia. Pode questionar-se, é claro, se não temos jogadores para mais. E que o processo ofensivo parece abandonado aos jogadores. Mas talvez seja melhor aceitar que vai ser sempre assim. Santos foi feliz na Grécia com a ideia do ferrolho. Espalhou-se nos três grandes onde precisava de partir para cima do adversário. Se a ideia é tirar o melhor de cada um, é isto que o engenheiro tem para dar.

De Patrício a Ronaldo, ontem todos sabiam como parar a Croácia. E cumpriram religiosamente a tarefa de não sofrer. A entrada de Danilo provou à saciedade o que é importante para o treinador. Depois houve a talentosa irreverência de Renato, a genialidade de Ronaldo e a cabecinha de ouro de Quaresma. Pode não se gostar do processo, mas estar nos quartos é bom.

QUESTÕES LATERAIS

Santos esteve bem a refrescar

Num Europeu uma equipa tem de usar o plantel com inteligência. Foi isso que o treinador de Portugal fez. Cédric e a sua garra para descansar Vieirinha. Fonte para dar tempo a Carvalho. Nota-se a diferença mas Mandzukic é como muitos que o central ‘inglês’ trava na Premier. E depois Adrien. Aqui onde Portugal ganhou mais. Fez esquecer Moutinho.

Faltou Bryan ao miolo leonino?

Com William a 6, Adrien a 8 e João Mário na direita, apenas André Gomes destoava no meio-campo mais elogiado do futebol português. Mas se Bryan Ruiz é um médio de enorme classe e a única coisa que parecia faltar ali, a verdade é que os jogadores eram os mesmos mas as preocupações e dinâmicas eram totalmente diferentes. Com Santos a ideia principal é defender. Com Jesus é transformar o momento defensivo em ofensivo.

NOTAS DE RODAPÉ

5. Pepe. Um jogo enorme do central que um dia adotou Portugal. Na altura chegou a ouvir que era por razões financeiras. Hoje são poucos os que questionam a sua entrega. Por vezes excessivo, ontem foi essencial na manutenção da baliza inviolada.

4. Adrien e Renato. O primeiro foi essencial a secar Modric. Talvez o trabalho mais implacável alguma vez feito ao genial médio croata, ontem apenas banal. Já Renato acrescentou a imprevisibilidade que Portugal tanto precisava. Fantástico no golo.

3. Cristiano Ronaldo. Jogo de esforço do craque e capitão português. Também ele a pisar muitas vezes o terreno de Modric, sendo o primeiro tampão à criatividade croata. Os flancos viram-no muitas vezes a defender. E assim nasceu o golo de Portugal.

2. Velasco Carballo. Portugal não se pode queixar das arbitragens no Euro. No entanto, o árbitro espanhol perdoou uma grande penalidade aos croatas . Não teve influência no resultado, mas podia ter tido. Afinal, para que servem os juízes de baliza?

1. André Gomes. Não é falta de vontade, mas as coisas não estão a sair bem ao médio do Valencia. A insistência de Fernando Santos começa a ser penosa. Foi claramente o pior do meio-campo de Portugal. Tudo melhorou com a sua saída...

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