Entrada em campo

Bernardo Ribeiro
Bernardo Ribeiro Diretor de Record

É esta a justiça que merecemos?

O caso Slimani é o último desenvolvimento de uma justiça desportiva que, à imagem da que é aplicada no país, vive nas ruas da amargura. A culpa maior é dos regulamentos, dizem, mas parece faltar também o bom senso que tanta diferença faz na gestão das questões quentes. Pior, neste caso ela parece manobrada por terceiros. E por muito que se explique aos adeptos do Sporting que as várias agressões que veem aos seus jogadores não podem ser castigadas porque as leis não deixam, a perceção que fica é que Jorge Sousa e o Conselho de Disciplina só olharam para um lado. Porque salta à vista que Samaris, Eliseu ou Jardel, entre outros, também agrediram rivais. E vão escapar. Afinal, por muito que se citem os regulamentos, é a verdade que sai ferida nesta história. Uma vez mais.

O processo a Slimani é natural. O argelino tem, de facto, uma entrada à margem da lei . Julgá-la é da mais elementar justiça. Já difícil é entender como é que um jogo disputado a 21 de novembro só vê levantado um processo esta 2.ª feira. Eis algo que desafia a lógica e mexe com a verdade desportiva. Porque as suspeitas que se vão levantar à volta de um tema que podia ter sido resolvido no dia seguinte são óbvias. Imagine-se que um eventual castigo a Slimani é aplicado antes do dérbi. A imagem da competição fica manchada, assim como o bom nome de quem julga. Ter juristas a carvão a decidir um negócio milionário é brincar com coisas sérias. E as pessoas deixam de acreditar.

A ligeireza com que o caso dos vouchers foi julgado pela Comissão de Inquéritos é também sintomática. Ilibar o Benfica sem uma investigação transparente, devidamente explicada ao público, aproveitando-se para estabelecer limites claros às ofertas, é deixar no ar o cheiro que em Portugal é nauseabundo. E mau para todos. Benfica, Sporting, árbitros e futebol.

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