Finalmente o triunfo de Vitória
Primeira ideia a retirar do clássico, está desfeito o enguiço de Rui Vitória com o FC Porto. O técnico não gostou da pergunta na antevisão ao jogo, mas ela não passava de um facto. Ontem foi o primeiro a chamá-lo à baila. Mais importante, Vitória acabou com o nó num jogo em que o mereceu por inteiro. Não porque o Benfica tenha feito uma exibição de sonho, mas porque soube vencer como tem de suceder nestes jogos em que o espetáculo anda arredio: com alma e atenção aos pormenores. E nisso, por muito que custe a Sérgio, os homens da Luz foram mais... equipa. E hoje lideram!
Na primeira parte, em que o futebol foi ainda mais pobre do que na segunda, vimos um FC Porto personalizado e até com um ligeiro ascendente em alguns momentos. Sérgio ganhava a aposta de colocar Otávio ao lado de Danilo e a agressividade e intensidade do brasileiro ligavam a equipa. Oportunidades de golo é que nem vê-las. Aliás, outra ideia a retirar do clássico, nenhum dos três grandes joga um futebol de encher o olho nesta altura. Chegam muitas vezes para as encomendas, mas sem um brilho que fique na retina de quem gosta de bola a sério. Esperemos que as coisas melhorem.
Não sei o que disse Vitória ao intervalo, mas falou bem. Diz o resultado e a atitude mais para a frente de uma equipa que pareceu perder medos dos seus fantasmas com o FC Porto. Dois factos vitais nesta altura, Grimaldo a subir de produção e no terreno fazendo a cabeça em água a Maxi e Conceição a dar uma ajuda a Vitória, involuntária, claro, quando retira Otávio do jogo. Perdeu-se ali qualquer coisa nos dragões, nomeadamente intensidade e capacidade de ligação entre sectores, algo que Sérgio Oliveira nunca fez e em que o dia menos de Herrera deixou à vista.
Nas características intrínsecas das duas equipas a época passada, saltava à vista no FC Porto uma sede de vitória capaz de mover montanhas. Não se vê isto na equipa de Sérgio esta época. E se a de Vitória não consegue ser tão impressionante como era o Dragão na passada temporada, por agora parece mais focada na reconquista do que o grande rival.
Rui Vitória estudou bem este FC Porto em que Marega parece ter perdido fulgor e Soares está ainda longe dos índices físicos que o tornam mortífero. Soube roubar metros ao maliano e tirar espaço a Soares, com um entendimento quase perfeito entre Fejsa e Rúben Dias, que ajudaram Lema até à exaustão.
Apesar de ter tido duas oportunidades para marcar, nomeadamente por Danilo e mais ainda por Brahimi, o FC Porto só criou verdadeiro perigo após lances de bola parada. Em processo ofensivo os dragões foram muito pobres. E também porque menos intensos, focados e explosivos do que o Benfica, que teve em Pizzi, Salvio e até Gabriel homens muito mais perigosos. E depois Seferovic marcou. Ele que passou de dispensado a vital. E ganhou a melhor equipa. A de Rui Vitória.
QUESTÕES LATERAIS
Saber ganhar como saber perder
O jogo terminou com ‘olés’ e no sistema de som da Luz logo se fez ouvir uma melodia a fazer lembrar as melhores músicas de tourada. Saber ganhar é quase mais importante do que saber perder. Lembra-nos o título que o FC Porto festejou na Luz com as luzes apagadas e os aspersores ligados. São atitudes mais reveladoras de quem as pratica do que quem as sofre.
Fábio Veríssimo muito rigoroso
O caminho escolhido pelo árbitro foi o dos cartões, tentando ter o jogo na mão pela disciplina rigorosa. Grimaldo e Iker Casillas foram os primeiros a percebê-lo. É uma opção válida e que quase funcionou na perfeição não fosse a expulsão injusta de Lema e alguns cartões que ficam sempre por mostrar quando o critério é tão apertado. Entendo a escolha de Fábio Veríssimo, mas terá de merecer respeito de outra forma.
O discurso de ódio tem custos sérios
Os jornalistas foram vítimas de vários ataques em redor do estádio da Luz, sendo a equipa da CM TV incomodada mais do que uma vez. Resultado de um discurso de ódio existente em vários clubes, infelizmente usado até por ex-jornalistas que hoje ganham a vida do outro lado. Permitir isto é brincar com o fogo. Uma vez mais. Portugal ainda é um estado de direito.
