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Bernardo Ribeiro
Diretor de Record
23 junho 2016 - 02:50

Precisamos de mais Fernando

Portugal passou com mais um empate. Num jogo pouco conseguido defensivamente. Valeu o génio de Ronaldo. Mas ainda se procura a equipa certa

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Num jogo louco de empate a três com a Hungria, Portugal escapou ao grupo dos tubarões beneficiando da vitória da Islândia. Mas o que é bom tem sempre o reverso da medalha. A Seleção joga já sábado e com a Croácia, quem sabe rival mais complicado do que a Inglaterra. E terá menos tempo de descanso.

A equipa portuguesa voltou ao mesmo ritmo soporífero, Fernando Santos às mesmas opções conservadoras, acabando por andar sempre atrás do resultado frente a um adversário que está muitos furos abaixo do talento nacional.

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Mérito dos jogadores o facto de nunca terem perdido a cabeça perante o resultado. E se defensivamente este foi um jogo recheado de problemas, eis que Cristiano Ronaldo volta ao ‘ketchup’ . Em boa hora. Dois golos e uma assistência. À patrão.

De positivo? O apuramento, claro. O regresso do melhor Cristiano também. Mas há muitos problemas para resolver. Por exemplo, encontrar o onze certo quando estamos de partida para o quarto jogo. Já quase toda a gente percebeu que vai ser difícil ver o meio-campo a carburar com três jogadores que trabalham a velocidades semelhantes: João Moutinho, João Mário e André Gomes. Talvez seja hora de apostar de início num homem de características e rotações diferentes. Seja ele Renato ou Adrien. Mas diferente.

Triste foi o conservadorismo de Fernando Santos no final do jogo. E não me parece que o capitão Cristiano tenha ficado muito convencido com aqueles minutos a trocar a bola a fingir que se jogava. Já foi pouco passar em 3.º lugar no grupo onde éramos obrigados a mais. Escusávamos de passar também aquela vergonha.

Questões laterais - concentração e intensidade

Portugal tem sido pródigo em pecados. Ontem mostrou alguns novos. Resta saber se por cansaço acumulado se apenas erros localizados. O maior a concentração defensiva. A Seleção abriu brechas inesperadas. Eliseu não é Guerreiro, mas foi no miolo que a desconcentração pesou mais. E Ricardo Carvalho não parecia o mesmo. Foi só ontem?

Que bom ver as lágrimas de Eliseu

Chamem-me sentimentalão, mas soube-me bem ver Eliseu a chorar quando Portugal ouvia o hino no início do encontro. É bom saber que há jogadores profissionais que sentem um orgulho tal em representar o seu país que chegam ao cúmulo de se derreterem daquela maneira. Num desporto altamente comercial e onde os milhões já falam mais alto do que tudo o resto, as lágrimas de Eliseu são humanas. Obrigado meu caro.

NOTAS DE RODAPÉ

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5. Cristiano Ronaldo. No mesmo dia em que perdeu a cabeça e atirou de forma infantil um microfone da CMTV ao lago, o capitão fez uma assistência primorosa para Nani, um golo de outro mundo e uma cabeçada certeira. A jogar à bola é o melhor...

4. Renato e Quaresma. Trouxeram mais velocidade, agressividade e olhos na baliza à equipa portuguesa. O primeiro será sério candidato a manter a titularidade, acredito, que quanto muito, digo, devia estar a disputar com Adrien Silva. 

3. William. Uma primeira parte longe do brilhantismo frente à Áustria, mas a recompor-se na segunda e a conseguir ser considerado, ainda assim, aposta ganha de Fernando Santos. Difícil entender Danilo ao seu lado, mas não foi opção dele.

2. Ricardo Carvalho. Tem sido um dos mais regulares, mas frente aos húngaros teve vários momentos delicados. Uma exibição menos conseguida, em que uma série de faltas pouco esclarecidas criou dificuldades a Patrício. Sem necessidade.

1. Jogo passivo. Lembro-me bem de um jogo vergonhoso entre alemães e austríacos no Mundial’82 que ficou célebre pelas piores razões. Ontem os últimos minutos do Hungria-Portugal trouxeram-me essa tristeza à memória. Pragmatismo? ‘Tá bem’...

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