Um génio diferente
Pode a memória estar a trair-me, mas penso que foi em 1984 que aprendi o que era chorar pela
Seleção do meu país. Com muito respeito por todos os que constituíam aquela equipa, na memória dos meus 12 anos dois ficaram para sempre especiais: Chalana e Jordão. Ainda hoje revejo o resumo do jogo com a França e desligo após o 2-1. Nunca esquecerei quanto doeu aquela derrota. Nesse dia acreditei piamente que íamos chegar ao título que só conquistaríamos em 2016. Justiça divina, em França.
Rui Manuel Trindade Jordão era um homem diferente. Não o escrevo por termos privado muitas vezes. As poucas em que isso aconteceu – a maior parte acompanhado pelo seu grande amigo José Eduardo –, deu para percebê-lo. Mas é o percurso que o mostra. A forma como lidou com o futebol enquanto nele viveu. A forma como o largou após anos e anos de glória. E ainda o que foi fazer depois da reforma futebolística. A licenciatura em História da Arte na Universidade Nova e a forma como abraçou a pintura são uma delícia para quem vem do mundo da bola. De génio.
Campeão no Benfica, foi no Sporting que se tornou uma lenda. António Simões diz que na sua posição foi o maior depois de Eusébio. Quem sou eu para contradizê-lo.
