O clássico visto por Bernardo Ribeiro

Bernardo Ribeiro
Bernardo Ribeiro Diretor de Record

Vitória e Nuno na noite de Jonas e Maxi

Se havia no relvado da Luz jogadores com questões para resolver eles eram Jonas e Maxi. O primeiro nunca tinha marcado ao FC Porto, tem uma mágoa pessoal com Nuno após a dispensa de Valencia – que levou até um pouco longe demais – e precisava de um golo num clássico para voltar a envergar a capa de goleador fantástico conseguida com a decisão e talento que trouxe de Espanha. Já Maxi, que trocou a Luz pelo Dragão e com isso ganhou mais dinheiro mas títulos nem vê-los, fez o que raramente faz. Marcou e selou um empate que deixa o Dragão vivo na corrida.

Era um grande embate para Rui Vitória e Nuno Espírito Santo. O primeiro nunca bateu o FC Porto, o segundo o Benfica. Curiosamente, o empate não deixou ninguém triste. O treinador encarnado voltou a estar à frente da única equipa que depende de si própria para ser campeã, o do FC Porto acredita que ganhando todos os jogos verá a águia escorregar algures, sendo que Alvalade ganhou todo um novo colorido com esta igualdade. O que pensará Jorge Jesus de tudo isto ninguém sabe, mas não é difícil acreditar que o técnico do Sporting não desdenhará o papel de decisor numa liga em que perdeu o comboio mais cedo do que previa.

Foi bem giro o clássico. As leituras futebolísticas da partida pode encontrá-las noutras páginas. Aqui fico-me por levantar algumas dúvidas porque certezas não tenho e as respostas, se chegarem, precisam de tempo. Apreciei a entrada da equipa do Benfica. Decidida a ganhar a partida, mandona, a levar o pretendente para trás. Infelizmente para Rui Vitória, o habitual recuo e aposta no erro adversário após a vantagem não trouxe os frutos do costume. O FC Porto foi então mesmo melhor e chegou ao empate. E logo pelo sorridente Maxi. Os benfiquistas dispensavam-no. E depois foi preciso dar tudo outra vez.

Após o empate, o FC Porto foi quase encostado às cordas. Fiquei sem perceber que percentagem de mérito atribuir aos de Vitória e demérito aos de Nuno. Os dragões ficaram demasiado satisfeitos com o golo do uruguaio. E depois pensaram apenas em sair da Luz vivos, com um pontinho que deixava tudo na mesma. Percebo a ideia. E que tudo é menos arriscado assim. Mas a verdade é que é o Benfica quem se mantém na frente e que Alvalade é tão perigoso como outro campo qualquer. Como os muitos difíceis que o Dragão ainda tem de enfrentar.

Se ao final da noite foi FC Porto e seus adeptos a festejar, diria que o Benfica nada tem a temer. Porque são 7 as finais que faltam jogar para ambos os lados. E quem vai à frente não pode, não deve, ter medo de ninguém.

QUESTÕES LATERAIS

Jogo não merecia atitude tão feia

A entrada de Jonas sobre o técnico do FC Porto foi um dos momentos tristes do clássico. O brasileiro não tinha necessidade nenhuma de chocar com Nuno, usa inclusivamente o cotovelo e ‘arromba-o’ estupidamente. Colocou em risco a equipa e podia ter incendiado o ambiente. Nuno foi um senhor. Os meus parabéns. Era fácil tirar vantagem do lance.

A afirmação de Carlos Xistra

O árbitro merece, também ele, parabéns. O jogo teve erros, é claro, um deles Jonas e Maxi não terem sido admoestados no lance acima, mas numa das partidas mais difíceis de apitar da época e em que os jogadores não facilitaram sai com nota muito positiva. Pode ter sido um ponto de viragem para a carreira. Não era fácil sair ileso da Luz. Fê-lo de forma notável.

Para quê bater em quem está no chão?

É verdade que o ambiente não era fácil e que Benfica e FC Porto não ajudaram o trabalho das autoridades nos 15 dias que antecederam o clássico. Ainda assim, se há adeptos que não se sabem comportar, foi pena ter ficado a imagem de agressões de um polícia a um homem já deitado no chão. Também é crime, diga-se.

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