A arte do conflito
Como era fácil de profetizar, a final da Taça da Liga terminou com uma querela enorme sobre as falhas cometidas por João Pinheiro, nada de absolutamente surpreendente se levarmos em conta que, no que respeita a erros de arbitragem, adeptos, dirigentes e jogadores, ou pelo menos uma boa parte deles, só guardam na memória o que lhes dói. Quase todos, incluindo alguns analistas, irão considerar, invariavelmente, que um lapso arbitral da largura de um fio de cabelo vai sempre causar um desvio de mil quilómetros na exatidão de um resultado e sobrepor-se às destrezas e aos deméritos dos jogadores e dos treinadores em contenda – isto, claro, se considerarem que o equívoco do árbitro lesou os interesses da sua equipa, porque na situação inversa assobiam para o lado.
