Ludopédio

Bruno Prata
Bruno Prata

A lista dos excluídos

Fernando Santos instigou os adeptos e os analistas a dizerem-lhe quem não deve ir ao Europeu em vez de se limitarem a ditar-lhe nomes e mais nomes para a lista final dos 23 selecionados para França. Se descontarmos a alfinetada bem-humorada em que o selecionador mais não fez do que desarmar boa parte dos velhos do Restelo que torcerão o nariz a qualquer listagem final, a verdade é que o trabalho de triagem está quase concluído. Fernando Santos ainda ontem reafirmava que o grupo não está fechado, mas, depois do jogo de hoje com a Bélgica, já não haverá margem para surpresas. Até porque os três derradeiros jogos de preparação já estarão reservados às escolhas finais. Em princípio, ao Europeu irão três guarda-redes, oito defesas, seis médios e seis avançados – caso Fernando Santos opte por levar mais um médio, hipótese que ele próprio já deixou em aberto, isso significará cortar um defesa ou um avançado. Salvaguardando eventuais lesões, o lote de guarda-redes (Patrício, Anthony Lopes e Eduardo) e de defesas (Vieirinha, Cédric, Fábio Coentrão, Eliseu, Pepe, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e José Fonte) está fechado. A principal dúvida parece ser a condição física de Coentrão (que está na última fase de recuperação e já voltou a treinar). Raphaël Guerreiro é a alternativa. Sendo assim, e respondendo ao desafio de Fernando Santos, ficarão de fora os guarda-redes Beto (que não recuperou a visibilidade no Sevilha depois de ter recuperado da lesão) e Marafona (que não é utilizado nos jogos europeus do Sp. Braga). Entre os defesas, o principal preterido será Luís Neto, porque Paulo Oliveira foi transformado por Jorge Jesus em quarta ou quinta escolha no Sporting e porque Antunes teve apenas chamadas esporádicas, enquanto Nélson Semedo e até João Cancelo irão concentrar-se nos Olímpicos. No ataque também já não há grandes dúvidas de que as vagas deverão ser ocupadas por Cristiano Ronaldo, Nani, Éder, Danny, Quaresma, Bernardo Silva, Rafa e João Mário. Os três últimos surgem aqui em função da sua provável utilização sobre as alas no 4x4x2 clássico que já se percebeu ir constituir o plano A, mas qualquer um deles, principalmente o sportinguista, será também escolha credível para o meio-campo, principalmente se houver necessidade de recorrer aos desenhos táticos alternativos (4x3x3 e 4x2x3x1). Neste pressuposto, o principal preterido será Varela, porque Lucas João ainda não justificou mais do que a Seleção Olímpica e porque Hélder Postiga e Hugo Almeida começam a não fazer parte deste filme (embora o regresso do primeiro ao futebol português possa ainda dar-lhe visibilidade). Hugo Vieira e Bruno Moreira destacaram-se pelos golos marcados no Estrela Vermelha e Paços Ferreira, mas se não foram chamados até aqui, também não parece crível e curial que o venham a ser para a lista final. Uma coisa seria, por exemplo, reintegrar Postiga, um histórico, outra, bem diferente, seria arriscar um corpo estranho. E foi o próprio selecionador a explicar que uma das suas principais preocupações será constituir um grupo que aguente sem fissuras os 50 e tal dias de concentração.

Resta, assim, o problema no meio-campo, bem bicudo por sinal, porque há duas mãos cheias de concorrentes válidos para as seis vagas. Primeiro que tudo será preciso perceber se Tiago regressa a tempo e em condições aceitáveis, o que o tornaria numa presença inevitável e obrigaria a escolher o outro médio mais posicional entre William e Danilo Pereira. Caso não recupere, as duas vagas serão para os médios do Sporting e do FC Porto. João Moutinho é indiscutível e, nesse pressuposto, restarão três vagas para quatro candidatos: Adrien Silva, André André, André Gomes e Renato Sanches. Na primeira fase da época, o segundo parecia levar vantagem sobre a concorrência, mas entretanto o cenário inverteu-se e Adrien ganhou ascendente, até porque André André debate-se com uma pubalgia que lhe diminuiu o rendimento. Certo é que tanto André Gomes como Renato Sanches oferecem valências que os distinguem dos outros médios, ficando a dúvida se o benfiquista não irá ser prejudicado pela falta de tarimba neste nível de competição. Neste universo restrito seria demasiado temerário arriscar qual o jogador prejudicado. Mas não há grandes dúvidas de que os principais restantes preteridos deverão ser Miguel Veloso e Pizzi.


Cinco estrelas -- FPF já tem Casa

Depois de tantas promessas, avanços e recuos, a anunciada inauguração da Casa das Seleções é uma das melhores notícias que o futebol português recebeu nos últimos tempos. Mérito do presidente Fernando Gomes e de uma equipa federativa que percebe os novos tempos.

Quatro estrelas -- Rui Jorge não engana

Paulo Bento prestou um bom serviço a Portugal quando levou Rui Jorge para os Sub 21. É o homem certo no lugar certo. Provam-no a sua postura, o discurso e os resultados, incluindo a goleada imposta ontem ao campeão olímpico em título.

Três estrelas -- Respeito por Casillas

Casillas já não é um guarda-redes indiscutível, designadamente na seleção espanhola, mas, aos 34 anos, o portista tem de ser respeitado por um currículo exclusivo e onde fica bem o título de jogador europeu mais internacional.

Duas estrelas -- Os elogios de BdC

Não faz sentido discutir se o anúncio da recandidatura de Bruno de Carvalho foi ou não prematuro. Porque, já o era antes de o ser. Menos previsível foi ver o presidente do Sporting elogiar os méritos da estabilidade e da continuidade nos rivais…

Uma estrela -- Cruyff foi único

Já tudo foi dito sobre Cruyff, mas seria imperdoável não registar aqui o desaparecimento de alguém único. Foi isso principalmente que distinguiu o holandês, a originalidade e a capacidade de transgredir. O seu legado futebolístico é também um manual de vida.

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