A quadratura do círculo
Pinto da Costa foi acolhido em Fânzeres com fogo de artifício preso e um show de fado, perante 200 adeptos portistas (na sua maioria já vistos como seus apoiantes incondicionais) que aceitaram o repto para participarem no singelo jantar organizado pela Comissão de Apoio à Recandidatura do atual presidente do FC Porto. No dia anterior, André Villas-Boas (AVB) tinha confirmado a sua candidatura às eleições de abril na luminosa e insigne Alfândega do Porto, perante 800 convidados, numa cerimónia em que nada foi deixado ao acaso, desde o apresentador mediático aos slogans gravados ao lado da efígie do requerente em placas gigantes, passando pelo teleponto sabiamente usado por um proponente que só não foi instruído para respeitar e arrebatar os períodos dos aplausos. São, obviamente, duas ocorrências distintas e que não autorizam grandes perorações. A não ser, talvez, um vislumbre sintomático do mais que previsível confronto eleitoral entre um passado desportivamente medalhado que foi perdendo unanimidade e é hoje escrachado por quem não aceita a atual decadência financeira e outras perigosas licenciosidades e, por outro lado, a promessa de modernidade, rigor e transparência na regência de quem faz gala da condição de desafiador.
