A época do Sporting está a ganhar aquela forma peculiar das grandes tragédias cómicas: o protagonista entra em cena com aplausos, domina o palco durante quase todo o espetáculo, exibe futebol de luxo, faz parecer fácil o que é difícil, e acaba, na reta final, a tropeçar na mais desconfortável das perguntas: como é que uma equipa capaz de lutar por tudo pode ficar com tão pouco na mão? O enredo é ainda mais complexo porque inclui um detalhe de inegável ironia: o clube que, durante meses, apresentou argumentos para sonhar com uma temporada de hegemonia, corre agora o risco de ver a linha de meta transformar-se num corredor de ansiedade, com o Benfica a ameaçar-lhe o segundo lugar e o FC Porto a preparar-se para reclamar o trono. Como diria Machado de Assis (ver romance 'Quincas Borba'), “ao vencedor, as batatas”; mas aqui o problema é que o Sporting parece estar a cozinhar um prato excelente para depois o deixar arrefecer em cima da mesa.