Bilhetes a martelo

A 13 de novembro de 2018 escrevi neste espaço que as associações de adeptos, assumidas ou não oficialmente pelos respetivos clubes, funcionavam como um braço armado das SAD, numa relação promíscua que escondia, entre outros pecados, um submundo de negócios espúrios e lucrativos. Não era, longe disso, a primeira vez que o afirmava, mas na altura vivia-se o lastimoso tempo em que o Sporting havia descido ao inferno com um falso e perigoso vendedor de quimeras que andava de braço dado com um líder da Juve Leo sentenciado por associação criminosa, roubo, sequestro e posse de arma proibida. Já então, importa sublinhar, o diagnóstico ia muito além dos distúrbios no clube leonino, porque há muito tinha ficado claro que nas principais claques perdurava um dicionário de abusos e ilícitos que iam de A a Z. Foi também isso que me fez passar a defender que esses grupos de adeptos organizados, tal como os conhecemos, acabam por trazer ao futebol muitíssimos mais prejuízos do que benefícios. E assumi-o independentemente de ter noção de que a maioria dos adeptos das claques aderem a esses grupos organizados por gostarem verdadeiramente do seu clube e também por preferirem ver o futebol com uma envolvência mais festiva e guerreira, nada tendo a ver com as actividades desprezíveis de alguns dos seus cabecilhas. Haverá casos de atração pelo 'chefe', porque no futebol, como na política, ninguém é mais adorado do que os tirânicos.

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