Bom vento de Espanha

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Roberto Martínez foi uma escolha lúcida e engenhosa. Quem me segue nos mass media sabe que o igualmente espanhol Luis Enrique teria a minha primazia se estivesse no lugar do presidente da FPF – o que, está bom de ver, cerceava à partida qualquer hipótese de eu ser agora congregado com a seita jacobina dos que exigem um atestado lusitânico ao selecionador e logo se apressaram a difundir escrituras espúrias de inaptidão ao catalão que nos últimos seis anos e meio comandou a Bélgica. Porque cumpre a generalidade dos parâmetros que a função exige, Martínez estaria sempre na minha short list de candidatos, como de resto também assumi aquando das primeiras discussões sobre os possíveis substitutos de Fernando Santos. Continuo convencido de que a proposta de jogo de Luis Enrique era mais congruente com a natureza de uma das melhores gerações de sempre do futebol português, se não mesmo a melhor. Mas Martínez também tem ideias progressistas e ofensivas, experiência futebolística e know-how suficientes para a função, tendo até talvez uma vantagem: é menos disruptivo e muitíssimo menos controverso do que Luis Enrique. O seu savoir-faire pode ter serventia na relação com os adeptos e com um balneário repleto de primas-donas.   

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