Ludopédio

Bruno Prata
Bruno Prata

Conceição, o verdadeiro MVP

Conceição, o verdadeiro MVP
Brahimi, Jonas e Bruno Fernandes mantêm-se como os principais candidatos ao MVP da época portuguesa, mas imaginemos que havia um galardão capaz de honrar os que mais influenciaram as performances nos relvados sem a obrigatoriedade de neles se expressarem: Sérgio Conceição seguiria, então, à frente de todos na corrida a este fantasioso "Most Valuable Protagonist", defluência do conhecido prémio que o basquetebol nos EUA reserva apenas para os "Players". Claro que só agora começamos a entrar na fase decisiva da época e as coisas até podem vir a sofrer uma daquelas cabriolas em que o futebol é pródigo. Mas o que já nos foi dado a examinar é mais do que suficiente para arriscarmos que o técnico do FC Porto foi, até aqui, a mais eminente figura da temporada. E quem tenha dúvidas da justeza deste rótulo precário só tem que rememorar o início do último verão, quando quase ninguém dava um cêntimo por um FC Porto minguado de títulos, de guita e sob a vigilância apertada de uma UEFA que o impedia de endividar-se ainda mais para conseguir reforços espalhafatosos. Não vale a pena repisar os méritos de Conceição no aproveitamento de jogadores renegados ou subaproveitados, como foram os casos de Ricardo Pereira, Diego Reyes, Hernâni, Sérgio Oliveira, Marega e Aboubakar, até porque é provável que a opção tivesse sido diferente, nalguns casos, se tivesse havido dinheiro para dar ordens de compra ao mercado. Importantes foram também os primeiros sinais, em que o técnico, sem se sentir constrangido por não ter sido a primeira escolha de Pinto da Costa, passou uma imagem e um discurso de afoiteza e bravura, que ajudou a devolver a confiança até aos adeptos mais incrédulos. E fê-lo sem nunca abdicar dos seus princípios e da sua individualidade, como quando teve a coragem de criticar a overdose saída dos departamentos de comunicação. Se a isso acrescentarmos a capacidade de liderança e a mestria técnico-tática à frente de uma equipa que não é perfeita (aqui e ali, nota-se falta de criatividade), mas que expressa no campo a boa qualidade do treino, fica claro que o eventual sucesso desportivo do FC Porto será sempre, em larguíssima maioria, o resultado do mérito do seu treinador e dos seus jogadores, não podendo ser confundido com ações e estratégias terroristas ou com o aproveitamento interesseiro de alianças espúrias.

Sérgio Conceição impôs a um plantel que até Janeiro era demasiado curto a Fórmula UTT (Humildade, Trabalho e Talento) e os jogadores responderam com uma rapidez surpreendente ao futebol de alta voltagem que lhe era pedido. De facto, o FC Porto não joga rápido, joga frenético. Mais do que com as pernas ou com a cabeça, joga com o coração. É parecido, mas não é a mesma coisa. O seu futebol é sempre concreto e, na procura rápida da baliza adversária, depende da velocidade, dos espaços e da dimensão física dos avançados. Nada de muito surpreendente se atentarmos a uma entrevista que Conceição deu ao jornal francês "Ouest France", no final de Março de 2017, quando já estava a provar no Nantes que não era apenas um treinador preparado para funcionar em transições: "Adoro o futebol realista, pragmático, com velocidade em direção à baliza adversária. Isso é o mais difícil (...). É por isso que adoro o Mónaco, a equipa mais completa, a melhor do campeonato. Mas tenho diferenças em relação a Jardim. Ele acha que é melhor ganhar por 4-3, eu penso que é melhor ganhar por 1-0 (...). A única coisa que garante pontos é não sofrer golos". Agora no FC Porto, o mais surpreendente até é o facto de a fórmula continuar a funcionar de forma escorreita mesmo quando se lhe retiram protagonistas importantes (em Chaves estavam de fora cinco dos habituais titulares). E esse foi também um grande mérito do treinador, conseguir que não houvesse verdadeiros suplentes, antes uns que jogam mais do que os outros. Quando se pensava, por exemplo, que ficar sem Danilo seria como tirar a tampa da banheira, eis que a equipa, em vez de entornar, aproveitou a sabedoria tática e a qualidade de uma dupla improvável, como é a formada por Herrera e Sérgio Oliveira. No início da época, Conceição impôs que os jogadores e equipa técnica formassem um círculo no final dos jogos. Mas aquilo que, na altura, até poderia ser visto como uma demonstração pública supérflua, pode ser hoje melhor entendido. Não só porque um bom treinador tem de saber transmitir honestidade aos jogadores, mas também, como diria Bielsa, porque o ânimo é um fator que normalmente ajuda a definir um resultado…



Cinco estrelas - De Bruyne é de ouro
O "póquer" de Aguero fez os títulos, mas quem viu a goleada do City sobre o Burneley percebe Guardiola: De Bruyne pode ser candidato à Bola de Ouro. Fez um "hat-trick" de assistências (a 18ª) e soma 11 golos. E, atenção, agora joga no miolo…

Quatro estrelas - Lopetegui era mau?
Lopetegui foi maltratado pela crítica portuguesa, mas a federação espanhola vai renovar-lhe, nos próximos dias, o contrato até ao final do Euro 2020. Afastou a Itália do Mundial e não perdeu nenhum dos 16 jogos, somando 12 triunfos.

Três estrelas - Carvalhal "very portuguese"
Carlos Carvalhal continua a promover a qualidade do treinador português em Inglaterra. O seu Swansea bateu o Burnley, somou 14 pontos em sete jogos, vencendo o Arsenal e o Liverpool, entre outros, e já está acima da linha de água.

Duas estrelas - Nem Dembelé salvou o Barça
Depois das lesões prolongadas, Dembelé teve um mau recomeço: perdeu a bola 13 vezes em 27 minutos. E o Barça perdeu quatro pontos em duas semanas e já tem o A. Madrid a 7 pontos.

Uma estrela - O enguiço de Jackson
Jackson Martínez precisa ir à bruxa. No A. Madrid, o colombiano (31 anos) só marcou 3 golos em 22 jogos e, como as lesões não o largaram na China, o Guangzhou nem o inscreveu na Superliga e na Champions asiática. O Mundial já é uma miragem.

2
Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.