Culpas são para dividir
Não há nada de mais misterioso do que o papel do treinador e os embaraços que Roger Schmidt está a experimentar esta época no Benfica confirmam o quanto Valdano tinha razão quando, numa entrevista dada há uns anos ao jornal argentino ´La Nación´, nos alertou para o perigo de os técnicos estarem a ser divinizados pelos jornalistas. "A necessidade de individualizar o êxito e o fracasso converteu o treinador numa espécie de curandeiro, dando a impressão de que eles manejam todas as variáveis do futebol", explicou. O argentino tinha alguma razão porque quanto mais se engrandece o treinador, dando a entender que ele controla todo o tabuleiro do xadrez futebolístico, mais pequena acaba por ser a responsabilização dos jogadores. Ora, isso resulta numa pequena blasfémia, porque o talento (ou a falta dele) e a devoção (ou a falta dela) dos 11 jogadores em campo acabam quase sempre por pesar sempre mais no jogo do que a expertise (ou a falta dela) de um treinador.
