Ludopédio

Bruno Prata
Bruno Prata

FC Porto e os custos do plantel coxo

O FC Porto voltou a fraquejar e, mais uma vez, num momento em que estava proibidíssimo de o fazer. A crítica especializada e os adeptos portistas mais mediáticos dividiram-se entre os que sobrelevaram o (indiscutível) mérito do Arouca, o erro danoso da arbitragem no golo mal anulado a Brahimi, as patetices de Maicon (cujo abandono intempestivo do relvado até serviu para que as avarias de José Ángel e Casillas passassem entre a chuva), as substituições de José Peseiro e até os resquícios da herança deixada por Lopetegui. Sendo óbvio que algumas das leituras são passíveis de serem mais bem fundamentadas do que outras, houve pelo menos uma decorrência que ficou a faltar e que não deve cair no esquecimento: a SAD portista não aproveitou a reabertura do mercado para resolver as insuficiências gritantes de um plantel coxo e que deixa muito a desejar em comparação com o da época passada. Se é verdade que os avançados ganham jogos, mas os defesas é que ganham campeonatos, ao treinador recém-contratado devia ter sido dado o central de qualidade que há muito se nota faltar no Dragão. Marcano e Indi equivalem-se no pé canhoto (o que não ajuda a melhorar a saída de bola) e na mediania e Maicon confirmou as insuficiências físicas que protelaram o seu regresso e a tendência para o disparate nos momentos mais inoportunos. Poder-se-ia ainda acrescentar a falta de substitutos credíveis para Máxi e Layún, o que, como se viu, pode obrigar a rearranjos prejudiciais e à utilização de um José Ángel que não cumpre os mínimos neste nível de competição. É também difícil acreditar que Peseiro não tivesse tido a expectativa de ver chegar ao Dragão um médio criativo que resolvesse a nostalgia por Óliver…

Em vez disso, foram gastos 6,5 milhões de euros para desviar do Sporting Suk, Marega e José Sá. Este último é um guarda-redes de futuro, faz mais sentido do que as apostas falhadas em Ricardo, Andrés Fernández e tantos outros, mas fica-se com a ideia de que veio por já fazer parte do ‘pacote’ negociado por Bruno de Carvalho. E vai ser preciso esperar o tempo necessário para perceber se a utilidade dos dois avançados irá ser superior à de Cissokho e Osvaldo, que, está bom de ver, não foram escolhas de Lopetegui. Nas entrevistas à imprensa espanhola, designadamente ao ‘As’, o ex-treinador deixou evidente que o ‘Ferrari’ Imbula também não foi ideia sua. Foram contratados "jogadores que talvez não fossem os que pensávamos que deviam ser", disse então o espanhol, segundo o qual o FC Porto tinha "outras necessidades prioritárias para a equipa que não chegaram". E foi também claro ao enumerar o ‘9’ e o ‘10’ que diz ter pedido, sem sucesso, no início da época, acrescentando ter ficado com a expectativa de que o mercado de inverno iria ser aproveitado para resolver desequilíbrios "claramente diagnosticados". Fica a ideia que Lopetegui não percebeu a necessidade imperiosa de um central. Mas alguém no FC Porto terá pensado nisso, a serem verdadeiras as notícias dando conta do interesse do FC Porto em Aderlan Santos, possibilidade abortada por o brasileiro não poder ser inscrito.

O FC Porto está quase desenganado e pode falhar o título pelo terceiro ano consecutivo, o que devia fazer os responsáveis portistas perceberem que o problema não tem sido tanto a escolha do treinador, antes – como neste espaço escrevemos em fevereiro de 2014 (após a saída de Paulo Fonseca) – a responsabilidade de quem administra uma SAD que perdeu a aura de outros tempos e toma decisões que deixam muitos pontos de interrogação. Armando Nogueira, um jornalista brasileiro que se celebrizou na ‘Rede Globo’ pelas suas tiradas viperinas, disse um dia que "os dirigentes pecam por ação ou comissão". A ideia com que se fica é que a SAD portista, tal como já tinha acontecido no verão, voltou a fraquejar por inação e em resultado dos constrangimentos provocados por uma gestão financeira de alto risco. Com um orçamento de 156 milhões de euros, mais de cem milhões dos quais reservados aos gastos operacionais, e com a necessidade de proceder a amortizações na casa dos 30 milhões (dos quais 17 milhões são para pagar juros), de pouco valeram os 120 milhões (que significam 90 milhões em mais valias quase de imediato descontados nas entidades bancárias) realizados com a venda dos seis ou sete titulares de que se queixou Lopetegui. Até porque, se forem verdadeiras as notícias de que Imbula tinha sido comprado com os dinheiros da Doyen, o mais normal é que o fundo também tenham levado a grande fatia dos lucros da operação.

5 estrelas

Bons ventos de Itália

Na sequência de uma reunião com os árbitros e diretores dos clubes, os treinadores dos clubes da Série A italiana decidiram que vão deixar de comentar as arbitragens. É uma decisão histórica e que pode ajudar a desanuviar o ambiente. Mas que terá poucas consequências se, como acontece em Portugal, os dirigentes e equiparados falarem do que não sabem.


4 estrelas

O salvador De Gea

David De Gea continua a brilhar na baliza do Manchester United. Foi à custa das suas defesas miraculosas que, frente ao Chelsea, Van Gaal evitou mais um desaire comprometedor. O tempo corre a favor deste espanhol com apenas 25 anos.

3 estrelas

Sánchez deu vida ao xadrez

Erwin Sánchez conseguiu transfigurar o Boavista, que já joga futebol e ganha pontos. Com a vitória em Paços de Ferreira, totalizou dez pontos nos últimos quatro jogos. E os boavisteiros já enchem as bancadas.

2 estrelas

A nobreza de Brahimi

É também nos momentos mais difíceis que se vê a estirpe de um jogador: o telefonema que Brahimi fez ontem para saber do estado de saúde do jornalista da Antena 1 que feriu acidentalmente foi uma demonstração de nobreza.

1 estrela

Gary Neville em queda

Gary Neville ainda não foi despedido, mas a sua carreira no Valencia veio provar (e era preciso?) que um bom comentador televisivo nunca será sinónimo de um bom treinador. Segue com zero vitórias e com apenas cinco pontos somados em 27 possíveis.



1
Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2020. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.