Mundial dos excessos
Não foi suficientemente sublinhado — e devia ter sido manchete em letras garrafais, como um letreiro de néon num filme de Scorsese — o facto de a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, ter recusado assistir ao vivo, no mítico Azteca, à cerimónia e ao jogo de abertura do Mundial. Num planeta onde os líderes correm para as tribunas VIP como figurantes ansiosos por um caramelo, Sheinbaum fez o impensável: disse não. E mais, doou o bilhete VIP 001 a Yolette Cervantes, jovem indígena e futebolista amadora, após um concurso promovido pelo governo. Num Mundial onde até o ar parece ter preço dinâmico, o gesto soou quase como subversivo. A presidenta preferiu ver o jogo entre adeptos comuns, numa fan fest. Como diria Orwell, todos são iguais — mas alguns são claramente mais VIP do que outros.
