Mundial fora do armário
Não ficaria de bem com a minha consciência se não inaugurasse as reflexões sobre o Mundial com uma declaração de interesses: recrimino a violação dos direitos humanos no Catar, tenha ela a ver com a perseguição dos homossexuais, com o ultraje a que são sujeitas as mulheres ou com o abominável tratamento concedido aos trabalhadores migrantes. Considero monstruoso que a política e a corrupção se tenham imposto ao futebol e que a FIFA tenha laureado o Catar com um Mundial. E sinto-me com legitimidade para o fazer porque não despertei só agora para o problema – já perscruto e escrevo sobre ele há mais de uma década, mesmo antes de o FBI ter desmantelado as cúpulas da FIFA. Apesar desta posição de princípio, irei comentar o Mundial nos meios de comunicação para os quais trabalho. Não há incongruência porque uma das missões do jornalista é narrar e interpretar o que vê, mesmo que o contexto lhe desagrade.
