O descrédito de Schmidt
Arrigo Sacchi, inventor do super Milan que se sagrou bicampeão europeu no final dos anos 80, não começou por ter vida fácil na capital da Lombardia. A crítica torceu inicialmente o nariz ao currículo do então jovem treinador que Berlusconi havia descoberto no emergente Parma e os próprios jogadores do Milan começaram por desconfiar da receita de um técnico que revolucionou o futebol com uma ideia de jogo feita de pressing zonal e intensidade. Seria o próprio Sacchi a contar, mais tarde, um episódio vivido nos rossoneri, quando tentou convencer Ruud Gullit e Van Basten de que cinco jogadores bem organizados conseguem anular o trabalho ofensivo de outros dez em que cada um joga a seu bel-prazer, sem disciplina tática. Mas não se limitou a dizê-lo: provouo num treino. Pediu a Rijkaard, Virdis, Evani, Colombo, Donadoni, Lantignotti, Ancelotti, Gullit, Massaro e Van Basten que tentassem, durante 15 minutos, marcar golos a um quinteto que ele próprio escolheu e instruiu: Galli como guarda-redes, mais Tassoti, Maldini, Costacurta e Baresi. O único preceito imposto por Sacchi foi que o G-10 tivesse de recomeçar o ataque dez metros atrás da linha do meio campo sempre que o grupo dos cinco cortasse a bola. O treino terminou sem que o G-10 marcasse um único golo.
