O salomónico Infantino
A atribuição do Mundial de 2030 a cinco países (sendo um deles Portugal) de três continentes insinuou bem os complexos tabuleiros geopolíticos que há muito superintendem a governação da FIFA. O fino olfato do presidente Gianni Infantino como estratega viabilizou uma inventiva solução que deixou satisfeitos quase todos os intervenientes no processo de outorga da prova rainha do futebol mundial. Até o estado totalitário da Arábia Saudita ficou exultante, porque lhe foi afiançado que o critério de rotação de continentes abre uma autoestrada de via única para que seja um cruel regime absolutista que continua a praticar decapitações públicas e "amputações cruzadas" (de um membro superior de um dos lados do corpo e da extremidade de um membro inferior do lado oposto) a desfrutar sozinho do Mundial de 2034. Até por isso fez algum sentido que alguns jornais internacionais tenham comparado Infantino ao Rei Salomão, perpetuamente conhecido pela sua lendária sabedoria salomónica, mas que – importa recordar também – se sabe ter garantido o seu reinado após ter mandado matar um irmão (Adonias) e ter desterrado outro (Abiatar).
