Oito anos de atraso
A última conversa que tive com Pinto da Costa foi há mais de oito anos, quando o presidente do FC Porto me telefonou para me dar conta da sua insatisfação relativamente a um artigo que eu havia escrito para este mesmo espaço. Tanto quanto me lembro, o texto versava sobre a situação financeira do clube, dando conta do acumulado de resultados financeiros que prenunciavam um perigoso aumento do passivo e também determinadas disfunções na gestão da SAD relacionadas com a compra, venda e empréstimo de jogadores. Pinto da Costa disse estranhar o cuidado que eu tinha passado a ter na análise dos relatórios e contas, dizendo ter informações de que isso não acontecia quando eu trabalhava como editor no jornal Público, como se tivesse passado a haver uma predisposição persecutória da minha parte. Respondi-lhe que isso era redondamente falso e que os tais ex-jornalistas que haviam trabalhado comigo (e que entretanto tinham passado a trabalhar no FC Porto) deviam era explicar-lhe que eu terei sido um dos primeiros responsáveis editoriais a valorizar a informação e a análise crítica das contas das diversas sociedades desportivas. Mas o que havia deixado Pinto da Costa mais abespinhado foi a parte do artigo em que eu escrevia que nalgumas tertúlias da cidade do Porto, designadamente nalguns cafés, já então se percebiam sinais de uma contestação latente à gestão do FC Porto e à figura do seu presidente. "Tem de me dizer que cafés são esses que você frequenta…", ridicularizou. A conversa foi ficando mais acalorada e, não me custa reconhecer, eu próprio me exaltei. Perdi um pouco a compostura nalgumas das réplicas, facto de que me arrependo até hoje.
