Ludopédio

Bruno Prata
Bruno Prata

Pequena seita e lamúrias tolas

Bruno de Carvalho perdeu toda a capacidade de fazer a doutrinação e a sua influência está hoje circunscrita a uma irrelevante seita de prosélitos sportinguistas para quem o líder (dito) carismático nunca poderá ser negado nem contradito e estará sempre acima da repreensão. Há muito que foram estudados pelas ciências sociais estes fenómenos em que um líder (seja ele religioso, populista ou totalitário) consegue exercer uma influência tão grande sobre os seus seguidores que os priva do seu normal livre-arbítrio. E se o fanatismo religioso já conseguiu, em tempos, convencer um grupo de 'fiéis' de que seriam conduzidos para outra dimensão numa nave que surgiria na cauda do cometa Hale-Bopp, mais fácil é entender como é que ainda há hoje quem não resista ao discurso apocalíptico de um destituído presidente leonino que insiste em distorcer as 'escrituras' e em usar os 'versículos' fora do contexto. Mas são cada vez menos os que aceitam que Bruno de Carvalho possui acesso exclusivo e privilegiado à verdade plena e à salvação (do Sporting, entenda-se). A esmagadora maioria dos sportinguistas já não tem pachorra para ouvir a sua visão do firmamento leonino nem a forma desesperada e burlesca como ainda tenta enfatizar a legitimidade única do seu 'credo', esquecendo a magnitude do atestado de incompetência e suspeição que lhe foi passado na assembleia geral da sua destituição.

Daí que faça cada vez menos sentido que às suas recorrentes diatribes (que têm sempre tanto de inoportunas como de ameninadas) reajam os atuais responsáveis do clube e da SAD com conferências de imprensa em que transborda o academicismo. Um breve e terminante comunicado teria bastado para desmontar o último delírio de Bruno de Carvalho, até porque, como alguém disse um dia, um homem sábio não debate assuntos tolos. Claro que a reação cheia de formalismo e com a mesa repleta de representantes de todos os órgãos sociais também foi estimulada por uma comunicação social (não toda, é verdade) que não cumpriu minimamente os mandamentos do bom jornalismo e se limitou a fazer de 'pé de microfone', badalando aos sete ventos (e sem nada questionar) a realidade virtual ditada por um ex-presidente cada vez mais transformado em prestidigitador maléfico.

Mesmo que ainda não se conheça o resultado da auditoria forense às contas do Sporting, a própria Comissão de Fiscalização reconheceu, no comunicado em que explicou a suspensão de um ano aplicada a Bruno de Carvalho, que poderia tê-lo expulsado imediatamente de sócio do Sporting. Porque, explicou, tinha "legitimidade para tomar essa medida" e porque havia "matéria suficiente para o fazer". Claro que havia, bastando recordar, entre muitos exemplos possíveis, a violação dos deveres da administração, a desvalorização dos ativos e a usurpação de funções, que incluiu a convocatória de assembleias ilegais, já para não falar nos ataques vis a que foram sujeitos muitos sportinguistas que não alinharam no 'circo'. Ninguém o assumiu, mas ficou a ideia de que o castigo pode ter sido mitigado por a expulsão imediata permitir a Bruno de Carvalho recorrer (com imediato efeito suspensivo do castigo) e assim apresentar-se a eleições. Neste cenário especulativo, teria ainda sido levado em conta a circunstância de penderem sobre Bruno de Carvalho outros processos disciplinares que, provavelmente, acabarão por levar à sua expulsão.

Mas a decisão de não o expulsar imediatamente é bem capaz de ter sido um erro. Primeiro, porque Bruno de Carvalho deve ter hoje muitos menos apoiantes do que os 29 por cento que votaram contra a sua destituição - arrisco dizer que não terá mais de metade dos devotos. Depois, a sua participação nas eleições teria, provavelmente, como efeito que boa parte das restantes sete candidaturas desistisse antes de ir a votos, no próximo dia 8. Uma vantagem suplementar, desde logo, por evitar a participação no escrutínio de quem ainda muitos sócios nem decorou o nome ou de quem cheira a bafio. Mais importe, a participação (e consequente a derrota) de Bruno de Carvalho nas eleições evitaria que daqui a uns anos, em resultado de um eventual ciclo desportivo negativo, muitos adeptos possam vir a ser contagiados por um sebastianismo bacoco e voltem a olhar para o seu vendedor de ilusões como um mártir. É bom que nos recordemos que Vale e Azevedo perdeu as eleições para Manuel Vilarinho antes de ser totalmente desmascarado e aferrolhado.

P.S.: Este artigo foi escrito antes antes da (última) tonteria de Bruno de Carvalho e da divulgação do último comunicado da Comissão de Gestão do Sporting. É muito difícil acompanhar a tendência supersónica de BdC para o protagonismo e para o disparate.

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