Ludopédio

Bruno Prata
Bruno Prata

Primeiros sinais de Peseiro

José Peseiro alterou o sistema de jogo do FC Porto (embora Lopetegui também tenha, aqui e ali, usado o 4x2x3x1), modificou a organização defensiva nos lances defensivos de bola parada (a marcação hxh deu lugar a linhas defensivas com referências zonais e posicionamentos em função da bola e dos colegas de equipa) e procurou tornar o jogo menos monocórdico, alterando a saída de bola e abdicando de boa parte da posse circular que era a (má) imagem de marca do seu antecessor. Frente a um Marítimo diminuído pelas lesões e pelos castigos e que também se adaptava à nova liderança de Nelo Vingada, o FC Porto até mudou mais do que eventualmente seria aconselhável na estreia do treinador, isto se levarmos principalmente em conta os apenas três dias de que dispôs para tentar passar a sua ideia de jogo (a defesa zona, por exemplo, ainda não agressiva no ataque à bola). Mas Peseiro vai ter pouco tempo para trabalhar e tem de correr riscos. Como era previsível, o FC Porto foi laborioso, mas rotineiro. Não funcionou com harmonia, faltou-lhe convicção e segurança no controlo de bola e, fruto da imprecisão da sua linha média e do medíocre rendimento de alguns jogadores, só conseguiu uns arabescos. O desfecho foi positivo, porque há momentos em que ganhar é o que mais importa, mas Peseiro sabe melhor do que ninguém que o resto (ainda) foi medíocre ou nem isso. Mostrou-o no fim, quando reconheceu que as equipas que jogam bem estão sempre mais próximas do sucesso. Carlos Rexach, que foi braço-direito de Johan Cruyff no Barcelona, dizia que, para jogar bem, não se deve sofrer, porque, explicava, "o que faz sofrer, não pode acabar bem". É esse o grande desafio de Peseiro: conseguir rapidamente que os jogadores e os adeptos portistas se libertem das moléstias e que recuperem o apetite e deixem de se martirizar.

Não terá sido por acaso que Peseiro repetiu o onze que empatou com o Rio Ave (e logo se despediu de Lopetegui) e perdeu em Guimarães. Mas o problema deste FC Porto não se resume à psique. E, percebendo-se o que pretendeu o técnico portista ao mudar certos hábitos, há algumas dubiedades que poderão, ou não, desvanecer-se à medida que os novos processos sejam melhor apreendidos e que o próprio Peseiro refine o conhecimento do plantel. Entre as dúvidas há uma que se destaca: se a ideia for mesmo passar a jogar com duplo pivô, fará sentido que Danilo Pereira seja um dos seus membros? É que fica-se com a sensação de que ele se expressa melhor quando joga sozinho à frente da defesa, a exemplo do que acontece com o sportinguista William. Acresce que a questão já não é tão manifesta quando olhamos para Rúben Neves, que poderia fazer uma dupla talvez mais complementar com Herrera, André André e até com Imbula, que ganhou dimensão internacional no Marselha de Bielsa precisamente num duplo pivô – e, caso se confirme a manutenção do francês no plantel pelo menos até ao fim da época, haverá todo o interesse em repor algum do valor de mercado que ele perdeu nos últimos tempos. A segunda questão é em torno do médio que joga agora nas proximidades do ponta-de-lança, estratégia que só pode visar a melhoria do jogo interior e garantir mais presença na área. Em experiências idênticas, Lopetegui lançou Herrera na função, mas de facto faz mais sentido olhar para André André, principalmente quando ele readquirir o fulgor e a forma que apresentou a certa altura desta época. A alternativa seria assumir Brahimi mais na zona central, ele que é um transgressor e alguém capaz de inventar coisas raras. Mas, por outro lado, com a saída de Tello, o FC Porto só tem agora três extremos, o que dificulta a derivação do argelino e confirma não ter este plantel tantas e tão boas soluções como tinha o da época passada. Continua a não ter alternativas para Maxi (embora Victor Garcia seja um bom projeto de lateral) e Layún, não tendo também um central de verdadeira dimensão internacional, ao contrário do que fez gala o FC Porto durante tantos anos. A Aboubakar foram agora acrescentados o sul-coreano Suk e o maliano Marega, jogadores de méritos indiscutíveis (mas que se expressam melhor em equipas de contra-ataque) e que até têm a vantagem de não precisarem de grande tempo de adaptação. Mas ter Lisandro, Falcão ou Jackson era outra coisa, não era?

5 estrelas 

A dupla Adrien e João Mário

É excecional a dimensão que o futebol de Adrien e de João Mário está a atingir. Em Paços de Ferreira, o primeiro teve 12 recuperações (sete no meio-campo ofensivo), seis interceções, quatro remates e apenas duas perdas de bola. E João Mário é, cada vez mais, a técnica e a inteligência ao serviço de uma causa.

4 estrelas

International Board tem remédio?

O International Board parece ter encontrado o remédio para a esclerose . Depois de ter finalmente aceitado os testes ao uso dos meios tecnológicos no apoio aos árbitros, deve anunciar em março o fim da tripla punição ao jogador que comete falta dentro da área (penálti, expulsão e suspensão no jogo seguinte).

3 estrelas

As pedras do Football Leaks

Fico sempre de pé atrás com quem atira a pedra e esconde a mão, mas as revelações que o Football Leaks continua a emitir da Rússia (mas em português) têm, pelo menos, o mérito de fazer perceber a certos dirigentes e alguns comissionistas menos escrupulosos que o tempo corre a favor da transparência.


2 estrelas

Vítor Pereira e as armadilhas

Na entrevista a Record, Vítor Pereira deu algumas explicações verosímeis, mas a forma vaga como respondeu à questão dos vouchers é de quem não percebeu o quanto o seu futuro à frente da arbitragem está armadilhado.

1 estrela

Fom do mito Van Gaal
 
Van Gaal, que já tinha roubado a identidade à seleção da Holanda, está a deixar o M. United ainda pior do que o recebera de David Moyes. Tem a pior percentagem de vitórias na história clube na liga inglesa e o MU nunca havia marcado tão poucos golos na Premier. O fim de um mito.




1
Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação desportiva.
  • conteúdo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão epaper do jornal no dia anterior
  • conteúdos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.