Ludopédio

Bruno Prata
Bruno Prata

Quantos do FCP ou do SCP jogavam no Benfica?

O golpe de teatro que a liga portuguesa registou na última jornada não foi tão inopinado como se tentou fazer crer. Os portistas esperavam que o Sporting fizesse o obséquio de lhes oferecer a liderança, mas acabaram traídos pelo seu próprio ardil (que era quase tão lânguido como os registos financeiros do clube). E o desfecho agridoce do dérbi até é capaz de ter contribuído para o agravar do entorpecimento que já há algum tempo se notava num FC Porto que tem demasiadas entradas falsas nos jogos e que, mais importante ainda, não tem as mesmas armas do Benfica – frente ao Feirense, não teve sequer ninguém capaz de funcionar como sucedâneo minimamente credível do castigado Brahimi. O Benfica sobreviveu em Alvalade à mais dura pena e o empate acabou por ser o resultado mais normal num jogo febril, mas de qualidade pouco mais do que mediana. Entre a impotência do Sporting e o conformismo do Benfica, o combate foi de facto nulo, o que não invalida ter sido este talvez o "clássico" em que Rui Vitória mais pôde reclamar créditos. De facto, nunca como até ao duelo de sábado havia levado primazia no plano estratégico sobre Jorge Jesus. Desta feita, o Benfica não perdeu nenhum dos jogos com os seus dois rivais, mas também só venceu um (e todos nos recordamos dos tormentos por que passou nos jogos com o Nápoles e com o Besiktas…), o que não parece suficiente ainda para contrariar definitivamente a tese de que é forte com os pequenos e bem mais fraco com os grandes.

Correto ou não, a verdade é que a quase certeza de que o tetra já não fugirá à nação benfiquista vai abrir a época dos ajustes de contas. E não faltará, nos próximos tempos, quem surja a fustigar todos aqueles que, ao longo da época, tiveram, imagine-se, a distinta lata de questionar a qualidade do processo de jogo benfiquista. Antecipando as (merecidas) chicoteadas que me possam estar destinadas, aproveito, desde já, para tornar claro que não será a classificação final da liga a fazer-me dar uma pirueta e alterar o essencial dos meus juízos. Rui Vitória merece a maior consideração pessoal e profissional, tem qualidades óbvias para a função (que já elogiei inúmeras vezes não só no Benfica, mas também no V. Guimarães, no P. Ferreira e até no Fátima), mas as quase duas épocas que leva à frente do Benfica são suficientes para enxergarmos que a equipa mantém deficiências e disfunções (principalmente na organização ofensiva, porque no processo defensivo, para o bem e para o mal, continua a vingar boa parte da herança de Jesus) que já podiam ter sido resolvidas ou, pelo menos atenuadas no treino. Não é uma crítica gratuita e, muito menos, uma tentativa perversa de diminuir os seus méritos, até porque me parece uma moléstia perfeitamente resolúvel. Rui Vitória só tem 47 anos e ainda nem terminou a segunda época a este nível da alta competição. Fernando Santos era pouco mais novo quando foi contratado pelo FC Porto, em 1998, e não tenho dúvidas de que o atual selecionador será hoje o primeiro a reconhecer que, na altura, tinha parcimónias que não o tornavam tão bom treinador como é hoje. Resolveu-as ao longo da carreira, porque foi à procura de novas experiências, conhecimentos e até de colaboradores que lhe acrescentaram novas valências.

Os campeões são quase sempre que os que têm os melhores planteis, havendo situações de paridade em que o engenho e a ciência dos treinadores fazem a diferença. As exceções são muito raras, sendo a última talvez quando Vítor Pereira conquistou o seu segundo título pelo FC Porto frente a um Benfica de Jorge Jesus que tinha claramente melhor plantel. O atual grupo de jogadores portistas também perde na comparação com o Benfica (o que parece um problema futuro cada vez mais problemático se levarmos em conta os cofres vazios e a necessidade, espelhada no orçamento, de encaixar mais de 100 milhões em vendas). Neste FC Porto rareia o talento e não é por acaso que é preciso recorrer a um miúdo de 19 anos quando é preciso substituir um André Silva que vai no sétimo jogo consecutivo sem marcar. E o Sporting também perde na comparação, principalmente após ter desistido da corrida e desinvestido em Janeiro. Ora, numa "suecada", se eu e o meu parceiro tivermos sete ou oito dos melhores trunfos estaremos sempre mais perto de impor uma "bandeira" aos adversários. E há grandes probabilidades de isso acontecer mesmo que não faça o melhor uso do baralho (e é isso que se passa no Benfica quando, por exemplo, se reserva sempre o lado direito para o errático Sálvio, em detrimento do talento incrível de Zivkovic ou até de Carrillo). Façamos um exercício: quantos jogadores do FC Porto e do Sporting seriam titulares no Benfica? Danilo? Talvez, mas apenas porque Fejsa tem muitas lesões. Alex Teles, Adrien, Gélson e Bas Dost? Eventualmente. Mas, façamos o exercício ao contrário: até vários suplentes do Benfica seriam titularíssimos no FC Porto e no Sporting… E fica mais fácil com os trunfos (quase) todos do baralho.


Cinco estrelas- Messi é o melhor duende
Podem dar-lhe patadas, cotoveladas e obrigá-lo a andar 20 minutos com algodão na mão para travar a hemorragia. Messi será sempre o pequeno e único duende capaz de dar corda às botas e fazer o impossível. O melhor. De sempre.

Quatro estrelas - Ibrahimovic não desiste
O problema no joelho até é capaz de ser mais grave do que se diz (aquelas imagens…), mas ouvir Ibrahimovic dizer que não lhe importam os 34 anos e que não desiste é um consolo para quem não estava preparado para perder o seu futebol de filigrana.

Três estrelas - Monchi, o caça talentos
Era a notícia mais mal guardada do século: a Roma confirmou a contratação do "caça-talentos" Monchi, que assinou um contrato de quatro anos. Depois de 15 anos a descobrir craques para o Sevilha, veremos se a fórmula também resulta em Itália.

Duas estrelas -Zidane e Bale pouco reais
Bale lesionou-se pela 17ª vez desde que está em Madrid e o Real pagou não só a ausência da sua estrela de cristal, mas também a falta de engenho de um Zidane que Florentino Pérez só aguentará no "banco" se houver títulos.

Uma estrela- Vergonha destes dirigentes
A morte de um adepto (as circunstâncias, ainda não totalmente apuradas, confirmam o submundo em que se transformaram algumas claques) não foi suficiente para meter juízo na cabeça de vários dos nossos dirigentes. Vergonhoso.

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