Há noites europeias que parecem escritas por um argumentista particularmente irónico. No Bernabéu, onde a liturgia do milagre costuma dispensar lógica e convocar fantasmas de glórias passadas, foi o Bayern de Munique quem impôs a razão fria dos sistemas bem oleados, vencendo por 2-1 um Real Madrid que, como diria Oscar Wilde, “resiste a tudo, menos à tentação” — neste caso, a tentação de acreditar que o talento individual substitui a coerência estrutural.