Saber vender bem
Numa das suas primeiras entrevistas enquanto recém-eleito presidente do Barcelona, Sandro Rosell afirmou, em 2010, que o clube catalão "nunca seria um grande clube enquanto não aprendesse a vender bem". Era uma censura explícita a um clube que na última dúzia de anos teve uma gestão catastrófica que quase o levou à ruína, como se percebe pela recente antecipação de uma boa parte das receitas preditas para os próximos 25 anos. Concorreram para isso os gastos faraónicos aplicados na compra e nos ordenados de jogadores, principalmente daqueles que nunca justificaram o investimento – um bom exemplo disso foi Philippe Coutinho, adquirido ao Liverpool por 135M€ e que, ao fim de vários empréstimos, foi vendido este ano ao Aston Villa por 20M€. Mas no âmbito da tal gerência desastrada teve também muito peso a forma como o Barça deixou sair de borla o astro Messi e o preço diminuto encaixado com outros jogadores relevantes, como foram os caos recentes de Griezmann ou Memphis Depay. Neste tipo de negócios, os catalães têm muito aprender com o rival Real Madrid, que conseguiu encaixar verbas bem mais transcendentes nos últimos anos com a venda de jogadores ainda mais veteranos, principalmente Cristiano Ronaldo (vendido à Juventus por 117M€), mas também Di Maria (vendido ao Manchester United por 75M€) e Casemiro (vendido igualmente ao United, mas por 70,65M€, quase o dobro do seu real valor de mercado).
