Salvar o futuro, mais do que salvar a época
Em conformidade como os diferentes arbítrios, o Sporting tanto está numa encruzilhada, à beira do abismo ou até, no pior dos cenários, completamente despenhado. O atraso de 9 pontos para o Benfica e de 6 para o FC Porto hipotecou demasiado cedo o campeonato e as duas derrotas com o Marselha também complicaram muito as contas na Champions, sendo que a recém eliminação da Taça de Portugal – em campo "neutro" (Barcelos) e frente a um Varzim da Liga 3 – funcionou, sem dúvida, numa desonra inusitada. A época do Sporting apresenta-se, nesta altura, tão ou mais melindrosa do que calcorrear uma maratona com a bexiga cheia. Não falta, por isso, quem anuncie o Natal em outubro, precipitação do calendário que, no passado, serviu para castigar sarcasticamente o insucesso leonino. Mas, mais importante do que catalogar o atual alvoroço, crucial será descobrir até que ponto os responsáveis do Sporting e o seu próprio treinador estão preparados para continuar a vender e a espalhar a esperança, como diria Bonaparte. Passar a mensagem de que uma crise de resultados não é, nem pode vir a ser, uma crise do projeto será tanto ou mais fundamental do que reencontrar o caminho das vitórias.
