Verde intenso

O Canto do Morais

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Este dia de votação, no quadro das eleições no Sporting, suscitou algumas reflexões.

Como a esmagadora maioria dos sportinguistas, fiquei orgulhoso pela forma como a massa associativa se comportou, pelos níveis de afluência, pela compostura, pela convivência, pela urbanidade.

Foi uma resposta inequívoca, explícita e implícita. Explícita, porque aos olhos de todo o país, se demonstrou que seis candidatos podem concorrer, pode haver uma campanha eleitoral quentinha, mas que, no dia de escolher, são todos sócios do mesmo clube, irmanados pelo mesmo ideal. Implícita, porque, de algum modo, se quis exorcizar os excessos da época brunista, a intolerância, a agressividade e o despeito, como que a dizer que não era esse o verdadeiro Sporting.

Fala-se muito no risco de 'belenensização' do Sporting, mas tal não é verdade. Quando o Belenenses deixou de ganhar, perdeu dimensão e os sócios desertaram; no Sporting, quando se ganha os sócios estão lá, mas quando se perde também estão.

O Sporting tem aquilo que muitos clubes gostariam de ter mas não têm: uma larga quantidade de sócios e adeptos indefetíveis, resilientes e disponíveis; são campeões, que merecem todas as vitórias do mundo.

E a questão que se coloca, subsequentemente, é a seguinte: com esta retaguarda, o Sporting devia ganhar no futebol profissional muito mais vezes do que ganha e, sendo assim, é de interesse geral saber-se porque não acontece.

É óbvio que esta interrogação tem diversas respostas algumas desportivas e outras extra-desportivas, umas históricas e outras atuais, umas do mundo visível e outras do sub-mundo, e por aí além. O que eu quero dizer é que, olhando para o passado recente dos últimos dez anos, os sócios, em geral, nunca falharam; os dirigentes, esses, nem sempre acertaram.

Por diversas razões, algumas delas que têm a ver com eles próprios, em diversos momentos cruciais os dirigentes não estiveram à altura, embora, no geral, tenham dado o seu melhor, o que, manifestamente, não foi suficiente.

Pelas razões que sabemos, a expectativa relativamente aos novos dirigentes é grande: porque o momento é crítico, porque os escolheram de entre muitos, porque a ansiedade de ganhar é muita.

Faço votos para que os recém-eleitos, que são os eleitos de todos, incluindo eu, saibam corresponder e acertar com os sócios tudo aquilo que tarda a saldar, ou seja a diferença entre aquilo que têm dado ao clube e aquilo que o clube lhes tem dado.

Por Carlos Barbosa da Cruz
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