Record

O Canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

A feira das vaidades

Por um instante, acalentei a esperança de que, no seguimento da admirável votação de 23 de junho, haveria a consciencialização coletiva de que o Sporting precisava radicalmente de mudar de vida.

Parece elementar a constatação que, face às divisões alimentadas e induzidas no seio dos sportinguistas (já não falo de família sportinguista, porque entendo que Bruno de Carvalho desacreditou esse conceito), se impunha privilegiar determinadas prioridades, no ato eleitoral próximo.

Trocando por miúdos: quem vier a mandar no clube, deve ter um mandato claro dos sócios, traduzido numa votação expressiva. Ou seja, é mais do que desejável que a lista vencedora seja legitimada por mais de 50 por cento dos votos.

O atual e lastimável sistema eleitoral do clube permite que ganhe a lista apenas mais votada, o que pode significar que, em caso de multiplicação de candidatos e fragmentação consequente de votos, se ganhe com percentagens inferiores.
O mesmo é dizer que se pode ganhar, mesmo tendo uma maioria de votos contra. Já aconteceu, como sabemos.
De modo que não sei mesmo o que mais me indigna. Se o desajeitado perdoa-me do presidente destituído, que outro fito não tem que não seja branquear-se, para o deixarem participar nas eleições; se a passarela dos protocandidatos que todos os dias emergem na comunicação social, esticando-se o mais possível, para os seus cinco minutos de glória.

O Manuel João Vieira, dos Ena Pá 2000, quando se candidatava às eleições presidenciais, ao menos tinha graça; estes Vieiras (sem desprimor) do Sporting nem isso.

Com uma agravante: há gente que no Sporting já foi tudo e o seu contrário; mesmo assim, continua a alimentar fumos de candidatura, em puros exercícios de taticismo eleitoral, para não perder outros comboios. Sabem bem do que estou a falar.

Da mesma forma, não passa despercebida a rapidez com que o brunismo arrependido se reciclou e se posicionou.

Confesso que não me entusiasma particularmente o que me é dado ver. Não são as pessoas, é claro, todas estimáveis sportinguistas. É a mentalidade.

A transversalidade, a credibilidade, a solidez financeira, a competência, a equipa, a transparência, o desapego, a solidariedade geracional, a inclusão, a tolerância, o fair play, a esperança e sobretudo a coesão (não gosto da palavra unidade, que está estragada pela política), são estes os valores que nos devem reger no futuro.

Assim consigamos, a bem do Sporting. Afinal, não somos todos uns incorrigíveis otimistas?
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