O Canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

A passadeira que falta na 2.ª Circular

Discretamente, o Benfica anda à procura de uma maneira de se descartar de André Carrillo, o que não admira, dada a modéstia das suas prestações. Está assim em vias de passar à história mais um dos intermináveis contenciosos entre o Benfica e o Sporting, relativo à transferência de atletas, no futebol e fora dele.

Quanto a Carrillo, fico com a ideia que foi mais vítima da ganância de empresários e manobras de bastidores do que dele próprio, mas a verdade é que, como jogador, não ganhou rigorosamente nada com a transferência e, no Benfica, mostram-lhe a porta da saída, mesmo antes de o contrato terminar; se tivesse ficado no Sporting, onde pacientemente fizeram crescer o seu inegável talento, em todas as suas vertentes, provavelmente o desfecho seria outro. No Sporting seria sempre especial, no Benfica, acabou com o estigma de ativo não performante. Á laia de epílogo, fica apenas esta pergunta: valeu a pena tanto banzé ?

Os mais velhos lembrar-se-ão que, nos anos sessenta, o Belenenses cortou relações com o Sporting por causa do "caso Carlitos", que, apelidado de 'novo Eusébio', se veio a revelar uma deceção. Aqui também, tantas dores para um parto tão pobre...

Fábio Coentrão, enquanto estava no Real Madrid, resolveu fazer juras de amor eterno ao Benfica, mas a vida trocou-lhe as voltas e apontou-o ao Sporting, a quem teve de também fazer juras para não ficar mal na fotografia.

No Benfica há muito este proselitismo de exteriorizar devoção eterna à camisola; estou em crer que se o Sporting acenasse com um bom contrato a Javi García, este vinha que nem uma seta!

Este tipo de declarações, que se fazem para agradar ao pagode, acabam por se voltar contra os próprios jogadores, como vimos no caso do Fábio Coentrão e, na prática, configuram uma admissão implícita de desvalorização. Com efeito, um dos direitos que assiste a qualquer profissional é o da liberdade de trabalho, ou seja, a possibilidade de desenvolver a sua atividade em prol da entidade patronal que melhores condições lhe oferece.

Isto nada tem a ver com mercenarismo ou com convicções pessoais; resulta, outrossim, do respeito pelos direitos, que são próprios de qualquer profissão, futebol incluído.

De cada vez que se perfilam transferências do Sporting para o Benfica e vice-versa, há drama, agonias e ranger de dentes; é tempo de olhar estas coisas com naturalidade, respeitar os direitos de cada um e deixar o mercado funcionar, como acontece em muitos países entre rivais.

Tenho na memória, entre outros, o exemplo do João Pinto, que soube honrar as camisolas que envergou, mantendo uma exemplar postura pessoal e desportiva.

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