O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Bom tempo no canal

Se há coisa menos certa no mundo do futebol, ela será prever quando o atleta jovem entra na fase da maturidade. Esta incerteza tem levado a que se façam apostas falhadas, por um lado, e por outro, se dispensem jogadores que acabam por singrar noutros clubes.

Estou-me a lembrar de casos, como o do Rui Barros, que aos 23 anos andava esquecido pela Póvoa do Varzim, nas divisões secundárias, quando alguém mais clarividente do Porto, se lembrou de o ir buscar, com o sucesso que se reconhece. Em contraste, tenho a sensação que, no Sporting, relativamente a alguns futebolistas, se desistiu deles cedo demais; não é só no pretérito, como aconteceu com o José Fonte, mas também na atualidade, com o Nuno Reis, o Renato Neto, ou o próprio Wilson Eduardo.

Reconheço que a escolha é ingrata e releva muitas vezes da pura adivinhação, envolvendo muitos imponderáveis. Quando, há anos, no Sporting, se discutia quem devia ficar, se o Silvestre Varela, se o Yannick Djaló, eu também achei que este último tinha mais potencial e foi o que se viu, Varela triunfou e Djaló ainda anda, infelizmente, para aí perdido.

Como em tudo, não basta ter talento, é preciso saber geri-lo. Toda esta conversa vem a propósito do Iuri Medeiros, faialense de gema, que veio para o Sporting com doze anos. Percorreu todos os escalões da formação, quer no clube, quer nas seleções e agora anda emprestado por Moreira de Cónegos.

Viu-o jogar contra o Porto e confesso que me regalei. Não foi só o golo e a assistência, foi toda a sua movimentação, a sua técnica e a sua postura de armador assumido em campo. Está feito um senhor jogador, muito diferente do miúdo que jogava nos juniores e que, deslumbrado com os seus predicados, não passava a bola a ninguém.

O Sporting tem um triste registo de vender cedo e mal os produtos da sua formação, que agora brilham noutras paragens, como foi o caso do Ilori, do Bruma, do Dier, do Baldé e, para não ser cáustico, fico-me por aqui. Olhem por favor para o Iuri e dêem-lhe a oportunidade que as suas patentes capacidades justificam e merecem. Porque acho que temos homem.

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