O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Colchões ao alto

Desde que Mourinho levou o bando de trintões do Inter, que nunca tinham ganho nada, à conquista do Scudetto e da Champions em 2010, que não se notava tanto o dedo do treinador nos sucessos na sua equipa.

Estou a falar deste Atlético de Madrid de Diego Simeone. Este Atlético joga à imagem do seu treinador e do que ele foi enquanto jogador: olhos nos olhos com o adversário, solidário, rigoroso, corajoso, pragmático e durinho quanto baste... A verdade é que, contra todas as expectativas e desafiando a lógica do dinheiro, Simeone pode aspirar a ganhar a Champions e a Liga, com nomes muito menos sonantes, mas moldados à sua imagem e semelhança, guerreiros em campo, todos sabendo em cada momento o que fazer e compensando o menor talento individual com enorme coesão coletiva e clarividência tática ímpar.

Como sportinguista sempre senti muito mais afinidade pelo Atlético do que pelo Real; este, à semelhança de outros, acha que é sempre o maior, que tudo lhe é devido, favorecido pela política e pelo sistema (mesmo assim os árbitros marcam mais penáltis contra o Real que contra o Benfica). O Atlético andou pela segunda divisão, comeu o pão que o diabo amassou, sobreviveu às megalomanias de Gil y Gil, mas ergueu-se sempre, porque instituições como esta nunca morrem e, afinal, está aí para as curvas, pujante, sempre apoiado pela sua fantástica afición.

O Atlético ainda não ganhou nada e não é seguro que o consiga, mas uma coisa fica demonstrada; é que há – alguns, poucos – treinadores como Diego Simeone, que ainda conseguem fazer a diferença. Este mesmo Atlético, que começou mal, perdeu em casa com o Benfica na fase de grupos, soube, mais uma vez, dar a volta, desforrar-se na Luz e arrancar para uma campanha europeia que, para já, descartou só e mais nada, o Barcelona, campeão em título.

E, para que fique clarinho, clarinho, mesmo que desagrade ao Rui Gomes da Silva, Jorge Jesus está também e por direito próprio, neste núcleo restrito. No mais, só espero que os merengues não saiam da pastelaria, que a Catalunha engula a arrogância do seu tridente milionário e que, merecidamente, voem colchões em Madrid.

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