O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Como se fabrica um mito

Nada tenho contra Mile Svilar, antes pelo contrário. Pelo andar da carruagem é expectável que me possa proporcionar (mais) algumas alegrias.

A questão não é essa. O que, de alguma maneira, incomoda é a encenação montada à volta do jovem guarda-redes, a todos os níveis, incluindo a comunicação social. Claramente, o Benfica quer fazer de Svilar aquilo que ele ainda não é, ou seja, um grande jogador; nessa lógica, todos os erros são branqueados, as qualidades exaltadas, o potencial exagerado, a ponto de ter lido que o Svilar ia ser internacional pela Sérvia, mesmo antes de ser convocado.
Mais do que uma aposta desportiva, como aquela que, com sucesso, o Sporting fez com Rui Patrício, a sensação que me dá, com todo o aparato mediático que se fabrica à volta e por causa do Svilar, é que o Benfica o olha sobretudo como um investimento, procurando promover o produto com vista a maximizar um retorno financeiro a curto prazo.

O Benfica tem todo o direito de desenvolver a sua estratégia comercial e é legítimo que procure valorizar os seus ativos; o que já não me parece tão respeitável é que tenhamos que engolir as fantasias promocionais que nos querem impingir uma realidade que, para já, é meramente virtual; isto mesmo com as boleias que, simpaticamente, o Mourinho, depois do jogo ganho (e sabemos de que forma), resolveu dar ao rapaz. Houve mérito e sorte na escolha do Ederson e na subsequente venda ao Manchester City; só que com uma grande diferença, o Ederson não assentou praça em general, antes de alinhar na equipa principal do Benfica, jogou 30 jogos pelo Ribeirão e 64 pelo Rio Ave.

Dir-se-á que não me assiste razão, se tivermos em conta que o AC Milan elegeu o Donnarumma para a sua baliza com apenas 16 anos. Em minha opinião, existe grande diferença de qualidade entre os dois, acrescendo que o AC Milan não disputa a Champions e está claramente fora da luta no campeonato italiano. Acho que por mais que nos queiram fazer de parvos, nunca devemos abdicar do espírito crítico e da independência perante as mistificações, provenham elas do nosso clube, sejam dos outros.

Svilar é o que é, ou seja, uma esperança entre muitas, que, mesmo equipando de encarnado, ainda transpira verdura. A sua capacidade para superar a presente e natural imaturidade e o percurso de aprendizagem, sempre doloroso para um guarda-redes, ditarão no final o que ele vai ser na realidade. Mesmo que alguma opinião apenas lhe dispense elogios. Mas, já sabemos, há sempre quem se ponha a jeito para fretes. Para já, Svilar é apenas e só um produto de marketing.

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