O canto do Morais

Carlos Barbosa da Cruz
Carlos Barbosa da Cruz Advogado

Da escassez e da fartura

Caro Engº Fernando Santos: Espero que se encontre bem.

O país está tão vidrado no campeonato interno e nos seus folclores, que até parece esquecido que em junho temos o Mundial na Rússia. Sei, porém, que o selecionador não descansa e está atento a todos os detalhes da preparação; fez bem em não imitar o selecionador brasileiro e divulgar, com esta antecedência, a lista dos que têm já o lugar garantido.
Isso não quer dizer que o selecionador não deva já ter ideias muito claras na sua cabeça, como é aliás seu apanágio. E, neste particular perfilam-se um opção e um conjunto de dúvidas.

A opção é saber se a Seleção que vai á Rússia é o prolongamento dos campeões europeus (à semelhança do que fez a Espanha), ou se a vai refrescar com a geração que se segue. Esta dúvida sistemática tem nomes: de um lado, Bruno Alves, José Fonte, Eliseu, Nani e Quaresma, a chamada velha guarda ou os incumbentes. Do outro: Nélson Semedo, Rony Lopes, Bruma, Bruno Fernandes, Sérgio Oliveira, Gonçalo Paciência, os insurgentes.

Não é preciso ser bruxo para saber que Patrício, Cédric, Pepe, Raphäel Guerreiro, Danilo, William, Moutinho, Adrien, Gelson, Bernardo e Ronaldo estão certos. Essa é a parte fácil; agora vêm as interrogações.

Estou de acordo com o esperar-se pelo sorteio para saber o nome dos nossos adversários e planear o esquema tático mais adequado para cada um. Mas há dúvidas que se perfilam desde já. A saber: quem vai ocupar o centro da defesa? João Mário estará jogado e em forma? André Gomes idem, idem? Fábio Coentrão aguentará fisicamente? André Silva ou Gonçalo Paciência? Rolando será opção? Cancelo ou Nélson? Levo o Éder?

E depois há este paradozo da fartura para certas posições (então na linha média...) e carestia para outras (defesas centrais precisam-se). Em cada português, como sabe, mora um potencial selecionador e, por consequência, desculpar-me-á este atrevimento de estar a entrar nos seus domínios. Aposto que não serei o único!

Portugal vai para a Rússia com estatuto que nunca teve e isso implica o peso de uma enorme responsabilidade acrescida. Tenho a certeza que as escolhas que fizer serão ponderadas, inteligentes e honestas, porque espelham o caráter de quem as toma.

Se for assim, fico descansado, como já estou, porque o resto é sorte e imponderáveis. O Mundial, estou seguro, será uma manifestação de patriotismo, orgulho e coesão nacional, um momento único de comunhão e empolgamento popular. Tenho a certeza que continuará a ser a pessoa que é, e isso, já de si, é uma garantia. Votos de recíproca felicidade, por parte de um, de dez milhões.

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